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Ciência

Novo comprimido contra AVC reduz em 26% o risco de um segundo episódio — e pode mudar a prevenção de recaídas nos próximos anos

Um medicamento oral em fase avançada de testes clínicos mostrou resultados animadores ao diminuir significativamente a chance de um novo acidente vascular cerebral em pacientes que já passaram por um primeiro evento. Apresentado em um congresso internacional, o estudo também chamou atenção por manter um bom perfil de segurança, sem aumento relevante de sangramentos no cérebro.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Um novo capítulo pode estar se abrindo na prevenção do AVC. Pesquisadores anunciaram que um comprimido experimental conseguiu reduzir em 26% a ocorrência de um segundo acidente vascular cerebral em pessoas que já sofreram um episódio anterior. Os dados foram apresentados durante a International Stroke Conference, realizada em Nova Orleans, e colocam o medicamento entre as apostas mais promissoras dos últimos anos para evitar recaídas.

O estudo foi conduzido com cerca de 12 mil pacientes em 37 países, todos acompanhados em um ensaio clínico de fase 3 com controle por placebo. O comprimido, de uso diário, foi desenvolvido pela Bayer e avaliado entre 2022 e 2025 em pessoas que haviam sofrido um AVC isquêmico não relacionado a causas cardíacas.

Um risco alto depois do primeiro AVC

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© https://x.com/AB_drmd/

Segundo a American Heart Association, aproximadamente um em cada quatro pacientes pode apresentar um novo AVC após o primeiro evento. Esse risco elevado transforma a prevenção secundária em uma das maiores prioridades da neurologia moderna.

Foi justamente nesse cenário que o novo medicamento mostrou seu potencial. Os participantes do estudo haviam tido um AVC isquêmico não-cardioembólico — ou seja, causado por obstrução de um vaso cerebral, mas sem ligação direta com arritmias ou outras condições do coração. Parte do grupo também incluía pessoas que sofreram ataque isquêmico transitório (AIT), conhecido como “mini-AVC”, que não deixa sequelas permanentes, mas aumenta consideravelmente a probabilidade de um evento mais grave no futuro.

Ao longo do acompanhamento, os pesquisadores observaram que quem recebeu o comprimido teve uma redução estatisticamente significativa de novos AVCs em comparação com o placebo.

Segurança: o ponto crítico do tratamento

Um dos aspectos mais relevantes do resultado foi o perfil de segurança. Terapias anteriores com anticoagulantes ou medicamentos semelhantes costumam esbarrar em um problema delicado: o aumento do risco de sangramentos intracranianos, uma complicação potencialmente fatal.

Neste estudo, porém, não houve crescimento observado desse tipo de hemorragia, o que fortalece o argumento a favor do novo tratamento. Para os especialistas, esse equilíbrio entre eficácia e segurança é essencial para que um medicamento possa ser adotado em larga escala.

“Um AVC é um evento que muda a vida dos pacientes e representa um enorme desafio de saúde pública”, afirmou Mike Sharma, investigador principal do estudo. Segundo ele, os dados mostram uma redução substancial do risco de um novo AVC, além de um efeito terapêutico sustentado ao longo do tempo.

Como funciona e quem participou

O comprimido atua em mecanismos de coagulação ligados à formação de trombos, mas com uma abordagem diferente da dos anticoagulantes tradicionais. A proposta é impedir novos bloqueios nos vasos cerebrais sem deixar o paciente excessivamente vulnerável a sangramentos.

Os voluntários foram recrutados logo após o AVC inicial e passaram a tomar o medicamento diariamente, sempre comparado a um grupo que recebeu placebo. A diversidade geográfica — com centros em dezenas de países — ajudou a garantir que os resultados representem diferentes perfis de pacientes, sistemas de saúde e contextos clínicos.

Para a Bayer, o estudo também representa um passo importante em sua estratégia de ampliar o portfólio de terapias cardiovasculares, um campo que segue entre os mais relevantes da medicina moderna.

O caminho até chegar aos pacientes

Tratamento Do Avc
© Gerd Altmann

Apesar dos números animadores, o comprimido ainda não está disponível ao público. O próximo passo é a análise dos dados por agências reguladoras, incluindo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, no Brasil, e a Food and Drug Administration, nos Estados Unidos.

Esses órgãos vão avaliar não apenas a eficácia, mas também a segurança em longo prazo antes de autorizar a comercialização. Esse processo pode levar meses ou até anos, dependendo da complexidade das revisões.

Se aprovado, o novo comprimido pode se tornar uma ferramenta central na prevenção de recaídas, oferecendo uma alternativa mais segura para milhões de pessoas que vivem sob a ameaça constante de um segundo AVC. Para pacientes e médicos, trata-se de uma perspectiva concreta de transformar um dos capítulos mais difíceis da recuperação em uma etapa com mais proteção — e mais esperança.

 

[ Fonte: CNN Brasil ]

 

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