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Ciência

Novo estudo sobre morcegos pode ser a chave para a hibernação humana no espaço

Cientistas descobriram diferenças celulares nos morcegos que podem levar à hibernação humana em viagens espaciais. Esse avanço pode ser essencial para missões de longa duração, como uma viagem a Marte.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A hibernação como solução para viagens espaciais

A NASA planeja enviar astronautas a Marte até a década de 2030. No entanto, a duração da viagem, estimada em 21 meses, apresenta desafios significativos para a sobrevivência e a saúde da tripulação. Uma das soluções consideradas é a indução de um estado de torpor, semelhante à hibernação.

Muitos mamíferos hibernam no inverno, reduzindo sua temperatura corporal e metabolismo para economizar energia. Entretanto, os seres humanos não possuem adaptações naturais para hibernar, tornando esse processo um desafio científico.

Morcegos e seus superpoderes celulares

O zoólogo Gerald Kerth, da Universidade de Greifswald, na Alemanha, estuda a hibernação em morcegos, pois eles são fáceis de pesquisar e oferecem insights sobre o processo biológico. Em experimentos de laboratório, ele e sua equipe analisaram as diferenças entre as células vermelhas do sangue de morcegos e humanos.

Os cientistas capturaram 35 morcegos noctule selvagens, que hibernam em grandes colônias, e coletaram amostras de sangue antes de libertá-los. Para comparação, também analisaram amostras de morcegos frugívoros egípcios e de humanos.

Utilizando tecnologia avançada, a equipe examinou como as células vermelhas do sangue das três espécies reagiam a diferentes temperaturas: 37ºC (temperatura corporal normal), 23ºC (temperatura ambiente) e 10ºC (temperatura em que os morcegos noctule iniciam a hibernação).

Os resultados mostraram que, ao esfriar, as células vermelhas do sangue dos morcegos se tornavam mais espessas, otimizando a captação e distribuição de oxigênio. Em contrapartida, as células humanas mantinham a mesma proporção de espessura e rigidez, o que indica que os morcegos possuem uma adaptação biológica essencial para suportar temperaturas extremas.

O que isso significa para a hibernação humana

Se fosse possível modificar as membranas das células humanas para imitar a capacidade dos morcegos, poderíamos estar mais próximos de induzir um estado de torpor em humanos. Marcus Krüger, especialista em medicina espacial da Universidade Otto von Guericke, na Alemanha, acredita que essa descoberta é um passo importante para a aplicação da hibernação em viagens espaciais.

Entretanto, várias perguntas permanecem sem resposta. Como induzir a hibernação humana? Seria por meio de acúmulo de gordura, priváço de alimentos ou suporte farmacológico? Além disso, não se sabe se um medicamento poderia estimular as células humanas a se tornarem mais espessas antes de entrarem em torpor.

Os desafios das viagens a Marte

Mesmo que a hibernação seja viável, ainda há diversos desafios a serem superados antes de enviar humanos a Marte. A exposição à radiação espacial, a deterioração muscular e a necessidade de suprimentos continuam sendo questões críticas.

Estima-se que seriam necessários 70 ônibus cheios de suprimentos para sustentar uma tripulação durante toda a jornada de ida e volta ao planeta vermelho. O confinamento prolongado e a saúde mental dos astronautas também são preocupações fundamentais.

Apesar dos desafios, os cientistas veem esse estudo como um avanço intrigante. Mikkael A. Sekeres, hematologista da Universidade de Miami, acredita que essa pesquisa tem implicações importantes para o futuro das viagens espaciais. “Isso nos aproxima da possibilidade de humanos entrarem em torpor por períodos prolongados – com esperanças de um resultado melhor do que o dos astronautas da franquia Alien!”, brinca ele.

A pesquisa continua, e o estudo sobre morcegos pode ser uma peça crucial no quebra-cabeça que tornará possível viagens espaciais mais seguras e sustentáveis no futuro.

[Fonte: National Geographic Brasil]

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