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Ciência

O cérebro como nunca antes: cientistas traçam o maior e mais detalhado mapa de suas conexões

Uma porção minúscula do cérebro de um camundongo revelou um universo de conexões neurais que pode transformar nossa compreensão da mente. Com ferramentas de ponta, os pesquisadores criaram uma reconstrução tridimensional com milhões de sinapses, abrindo novas portas para a ciência do cérebro.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Parece uma cena de ficção científica: um rato assiste a trechos de “Matrix” enquanto seus neurônios brilham, revelando como se comunicam em tempo real. Mas isso é ciência pura. Pesquisadores dos Estados Unidos acabam de criar o maior e mais detalhado mapa funcional do cérebro até hoje — e tudo começou com um roedor e uma semente de papoula.

Parece uma cena de ficção científica: um rato assiste a trechos de “Matrix” enquanto seus neurônios brilham, revelando como se comunicam em tempo real.
© Unsplash

Uma fatia de cérebro que revela um universo

A conquista foi publicada na prestigiada revista Nature e utilizou uma seção minúscula do cérebro de um camundongo, com o tamanho aproximado de uma semente de papoula. Nessa fração microscópica, os cientistas conseguiram mapear 84 mil neurônios e rastrear nada menos que 500 milhões de sinapses — as conexões que transmitem mensagens entre células cerebrais.

As informações foram organizadas em uma reconstrução tridimensional colorida, permitindo distinguir os circuitos neurais e compreender com mais precisão como eles se integram.

Uma combinação entre ciência, tecnologia e criatividade

O projeto envolveu diversas etapas de altíssima complexidade. Primeiro, um rato geneticamente modificado assistiu a clipes de filmes, animações, esportes e natureza. As cenas provocaram reações cerebrais registradas por técnicas de microscopia de última geração, que captaram o brilho das células ativas.

Depois, os cientistas analisaram o tecido cerebral utilizando um método que o dividiu em mais de 25 mil camadas ultrafinas, mais finas que um fio de cabelo humano. Foram produzidas cerca de 100 milhões de imagens de altíssima resolução, posteriormente reunidas digitalmente em um modelo 3D.

Para Forrest Collman, do Instituto Allen de Ciências do Cérebro, a experiência é comparável à de observar galáxias: “É uma beleza imensa, uma complexidade que impressiona — e estamos falando apenas de uma pequena parte do cérebro de um camundongo”.

O cérebro como um gigantesco circuito

Os resultados do estudo equivalem a um sistema de fiação elétrica com mais de 5 quilômetros de extensão, comparando-se ao comprimento das conexões identificadas. Além dos neurônios, o banco de dados inclui informações sobre mais de 200 mil células e 523 milhões de ligações na área do córtex visual do animal.

Esses dados foram disponibilizados digitalmente para cientistas do mundo todo, que agora poderão usá-los como base para novos experimentos. Pesquisadores da Universidade de Princeton, que também participaram do projeto, destacaram que essa é a primeira vez que será possível observar padrões anormais de conectividade que possam estar ligados a transtornos neurológicos.

Um recurso valioso para o futuro da neurociência

Segundo os neurocientistas Mariela Petkova e Gregor Schuhknecht, da Universidade de Harvard, que não participaram diretamente da pesquisa, o estudo representa um avanço sem precedentes. “É um enorme passo à frente e um recurso valioso para futuras descobertas.”

Clay Reid, outro dos líderes do Instituto Allen, afirma que mapear essas conexões é essencial: “Podemos ter milhares de teorias sobre como o cérebro funciona, mas nenhuma pode ser realmente testada sem sabermos como as células estão conectadas entre si.”

Com esse novo mapa, os cientistas estão mais perto do que nunca de decifrar os códigos do cérebro — e talvez, no futuro, entender melhor os mistérios da mente humana.

 

Fonte: Infobae

 

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