Vivemos em um tempo onde cuidar da saúde parece girar em torno de dietas, exercícios e exames. Mas, segundo o cirurgião digestivo Manuel Sans Segarra, há um inimigo muito mais sutil — e poderoso — que está afetando milhões de pessoas. Sua origem está profundamente ligada ao ritmo de vida atual e à forma como lidamos com o mundo e conosco mesmos.
O estresse não é só emocional — ele adoece de verdade
Durante uma entrevista no programa P de Podcast, Sans Segarra foi direto: um minuto de estresse intenso pode reduzir a imunidade por até seis horas. A afirmação se baseia em evidências científicas que mostram como o estresse afeta negativamente o sistema imunológico.
Quando esse estado de tensão se repete com frequência, ou se torna crônico, o organismo passa a operar com defesas mais baixas, favorecendo o surgimento de infecções, doenças autoimunes e até câncer. Não é apenas uma sensação ruim — é uma condição fisiológica que compromete a saúde a longo prazo.
O ritmo acelerado e o custo invisível
Segundo o médico catalão, o problema maior está na normalização do estresse. Vivemos em constante cobrança, competição e pressão. Como resultado, o corpo libera grandes quantidades de cortisol e catecolaminas, substâncias que deveriam ser usadas apenas em momentos pontuais de perigo.

Quando essas substâncias são produzidas de forma contínua, elas afetam o equilíbrio hormonal, o sistema digestivo, o sono e até a saúde cardiovascular. O corpo entra num modo de alerta constante — e vai se desgastando em silêncio.
Ego: o verdadeiro motor da exaustão moderna
Para Sans Segarra, o ego é a raiz do estresse crônico. Ele explica que a obsessão por performance, status e validação social nos coloca num ciclo de comparação e autoexigência permanente. Essa dinâmica, centrada no ego, mantém o corpo em estado de tensão, mesmo quando não há ameaças reais.
Romper esse padrão não é um luxo — é uma questão de sobrevivência. Buscar um estilo de vida mais calmo, com menos cobrança interna e mais conexão com o presente, pode ser a mudança mais eficaz para proteger tanto a saúde mental quanto a física.
Cultivar a tranquilidade, respirar com consciência e reduzir o peso das expectativas externas pode ser, hoje, a melhor medicina preventiva que existe — e a mais negligenciada.