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Ciência

O remédio comum que pode surpreender: nova esperança no combate à metástase do câncer?

Pesquisadores descobriram que um dos medicamentos mais antigos e populares do mundo pode ter um papel fundamental na luta contra o câncer. A aspirina, além de aliviar dores e febre, pode ajudar a impedir que a doença se espalhe pelo corpo. Entenda o que diz a ciência.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Um remédio barato e acessível, presente em lares há mais de um século, pode esconder um potencial terapêutico ainda não totalmente explorado. A aspirina está no centro de novos estudos que apontam seu possível efeito na prevenção da metástase — e os resultados são promissores.

A nova face da aspirina na oncologia

Pesquisas recentes realizadas por centros de referência como o CIC de Salamanca, o Instituto Francis Crick de Londres e o Instituto Oncológico Vall d’Hebron, em Barcelona, sugerem que o ácido acetilsalicílico (AAS) pode interferir nos processos que permitem às células tumorais se disseminarem pelo organismo.

Embora os estudos tenham sido feitos de forma independente e em diferentes países, todos chegaram a conclusões semelhantes, o que fortalece a credibilidade dos achados. Publicados em revistas científicas como Cancer Cell e European Journal of Cancer, os trabalhos mostram que a aspirina atua em etapas cruciais do processo de metástase.

Como a aspirina pode combater a metástase?

Ao contrário do que se possa pensar, a aspirina não atua diretamente sobre o tumor primário. Seu papel aparece quando as células cancerígenas tentam se espalhar. Três mecanismos principais explicam essa ação:

Inibição das plaquetas

As plaquetas formam uma espécie de “escudo” em torno das células tumorais que circulam no sangue, protegendo-as do sistema imunológico. A aspirina inibe a ativação dessas plaquetas, dificultando que as células cancerosas se fixem em outros órgãos.

Redução dos nichos metastáticos

Pesquisas indicam que a aspirina interfere na formação dos chamados “nichos pré-metastáticos”, ambientes criados por células-tronco tumorais que facilitam a instalação da metástase. Ao bloquear esse processo, o medicamento pode reduzir a disseminação da doença.

Ação anti-inflamatória

A inflamação crônica é conhecida por favorecer o desenvolvimento e a propagação de tumores. Como potente anti-inflamatório, a aspirina pode romper esse ciclo e tornar o ambiente menos favorável ao câncer.

Resultados encorajadores

Modelos animais com câncer de cólon, mama e cabeça/pescoço tratados com aspirina mostraram uma redução significativa no surgimento de metástases. Em alguns casos, os efeitos foram tão expressivos que os pesquisadores repetiram os testes para confirmar.

Além disso, um estudo com 1.200 pacientes realizado pelo Instituto Vall d’Hebron mostrou que o uso contínuo de baixas doses de aspirina reduziu em 30% as recorrências metastáticas, principalmente em cânceres como o colorretal, de pâncreas e próstata.

Uso promissor, mas com cautela

Apesar do entusiasmo, especialistas alertam que a aspirina não deve substituir os tratamentos convencionais contra o câncer. A automedicação pode causar efeitos colaterais graves, como sangramentos no estômago e no intestino. O uso deve ser sempre orientado por um oncologista ou médico especialista.

Uma aliada improvável na luta contra o câncer?

A possibilidade de que um remédio tão simples possa ter impacto real na prevenção da metástase abre uma nova frente de pesquisa na oncologia. Embora os estudos em humanos ainda estejam em fase inicial, os indícios são fortes o suficiente para atrair a atenção da comunidade médica global.

Resta saber se a aspirina se tornará, no futuro, parte dos protocolos de prevenção contra a metástase. Por enquanto, ela já nos lembra que, na ciência, às vezes as respostas estão mais perto — e são mais acessíveis — do que imaginamos.

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