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Ciência

O retorno da NASA à Lua: boas e más notícias

A NASA abordou dúvidas sobre o programa Artemis e o escudo térmico da cápsula Orion em uma coletiva de imprensa realizada hoje, compartilhando atualizações mistas sobre o programa lunar.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A agência finalmente forneceu as tão esperadas atualizações sobre seu programa Artemis, discutindo preocupações com a nave Orion e as datas das missões. A notícia não é tão ruim quanto temíamos, mas teremos que esperar um pouco mais pelo retorno dos Estados Unidos à Lua.

As novas datas

A NASA encontrou uma solução para o problema do escudo térmico da cápsula Orion, mas o retorno à superfície lunar enfrentará novos atrasos, devido, em parte, a preocupações de segurança com a nave tripulada.

Durante uma sessão informativa na quinta-feira, a NASA anunciou que as missões Artemis 2 e 3 foram adiadas. O primeiro voo tripulado da Orion, previsto inicialmente para setembro de 2025, foi remarcado para abril de 2026. Já o próximo pouso lunar desde o programa Apollo foi reprogramado de 2026 para meados de 2027.

“Precisamos que este voo de teste da Artemis 2 seja bem-sucedido para garantir o sucesso do nosso retorno à Lua e para que o restante da campanha Artemis avance”, disse o administrador da NASA, Bill Nelson. “O espaço é exigente, e precisamos desse tempo para garantir que a cápsula Orion possa levar nossos astronautas ao espaço profundo e trazê-los de volta à Terra com segurança”.

Buscando a solução para o grande problema

A NASA vem trabalhando para resolver um problema detectado no escudo térmico da Orion durante a missão Artemis 1, em 2022. Essa missão, um voo de teste não tripulado, levou a nave Orion até a Lua e de volta à Terra. Após a cápsula aterrissar no Oceano Pacífico, inspeções revelaram um desempenho inesperado do escudo térmico. Durante a reentrada na atmosfera terrestre, a Orion viajou a velocidades de até 39.590 km/h, suportando temperaturas superiores a 2.760 °C. Embora os engenheiros esperassem certa carbonização, mais material ablativo do escudo se desprendeu do que o previsto.

Em maio, um relatório da Inspeção Geral da NASA destacou o escudo térmico como um dos problemas críticos a serem resolvidos antes da missão Artemis 2.

Segundo Pam Melroy, vice-administradora da NASA, a Orion utilizou uma técnica chamada “entrada saltada” ao retornar à Terra. “É uma técnica usada ao voltar da Lua, pois a velocidade e a energia que a nave precisa dissipar são muito maiores do que ao retornar de órbitas baixas da Terra”, explicou Melroy. Essa abordagem permite que a nave entre e saia da atmosfera, reduzindo a velocidade gradualmente.

O que aconteceu?

Enquanto entrava e saía da atmosfera, o calor acumulado na camada externa do escudo térmico provocou a formação de gases presos em seu interior. Isso gerou pressão interna, causando rachaduras e desprendimentos desiguais, segundo Melroy. “Precisamos entender o motivo dessa variação na erosão do escudo para garantir a segurança dos astronautas durante a Artemis 2”, acrescentou.

Após identificar a causa, a NASA decidiu manter o design atual do escudo térmico para a Artemis 2, mas aplicará uma trajetória de reentrada ajustada para garantir maior segurança.

Segurança acima de tudo

Apesar da solução, a segurança dos astronautas continua sendo a prioridade antes de lançar uma tripulação a bordo da Orion. No entanto, este é mais um atraso decepcionante para o programa Artemis, que enfrenta altos custos e um cronograma ambicioso. Originalmente, a Artemis 2 estava programada para novembro de 2024, enquanto a Artemis 3 deveria ocorrer no final de 2025. Com o novo cronograma, a Artemis 2 será lançada quase cinco anos após o início do programa.

A NASA também enfrenta pressão para levar astronautas à Lua antes da China, em uma nova corrida espacial. No entanto, o administrador Nelson garantiu que, mesmo com os novos prazos, os Estados Unidos continuam à frente da China. O programa espacial chinês planeja levar astronautas à Lua até 2030, dando à NASA uma vantagem de três anos, pelo menos por enquanto.

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