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Ciência

O universo pode não ser um vazio: novo modelo propõe que o espaço é viscoso e que a energia escura pode ser fruto de fricção cósmica

Uma proposta teórica apresentada em 2026 sugere que o espaço-tempo se comporta como um fluido com resistência interna. Se confirmada, a ideia pode substituir a constante cosmológica de Einstein e oferecer uma nova explicação para a expansão acelerada do Universo.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Durante décadas, a cosmologia moderna sustentou que a expansão acelerada do Universo é impulsionada por algo chamado energia escura — uma força misteriosa que representaria cerca de 70% do conteúdo cósmico. Agora, um novo modelo teórico propõe uma alternativa ousada: talvez essa aceleração não venha de uma energia desconhecida, mas da própria “viscosidade” do espaço.

A hipótese foi apresentada em janeiro de 2026 por Muhammad Ghulam Khuwajah Khan, pesquisador do Instituto Indiano de Tecnologia (IIT) de Jodhpur. O chamado “modelo do universo viscoso” sugere que o espaço-tempo não é um vazio inerte, mas um meio com propriedades físicas semelhantes às de um fluido com resistência interna.

Espaço como fluido: uma mudança de paradigma

A imagem que pode mudar nossa visão do Universo surgiu do invisível
© https://x.com/konstructivizm/

No modelo padrão da cosmologia, baseado na relatividade geral de Einstein, a aceleração cósmica é explicada pela constante cosmológica — um termo matemático que representa uma energia repulsiva intrínseca ao espaço.

A nova proposta rompe com essa interpretação. Em vez de assumir uma constante fixa, o estudo sugere que o espaço possui viscosidade, ou seja, uma espécie de fricção interna. Essa resistência geraria um efeito equivalente a uma força repulsiva em larga escala, impulsionando o afastamento acelerado das galáxias.

Os cálculos indicam que, ao incorporar essa propriedade às equações da relatividade geral, é possível reproduzir as observações astronômicas mais recentes sem recorrer a uma entidade externa desconhecida.

Energia escura como efeito emergente

Nesse cenário, a energia escura deixaria de ser uma substância ou campo independente e passaria a ser entendida como manifestação macroscópica da fricção do próprio tecido espaço-temporal.

A ideia se apoia em uma analogia com fluidos físicos. Assim como um líquido pode apresentar resistência ao movimento interno, o espaço — em escalas cósmicas — poderia exibir comportamento semelhante. Essa fricção cósmica atuaria como um “motor” de expansão.

Se a viscosidade do Universo variou ao longo do tempo, isso poderia alterar profundamente nossa compreensão da formação das primeiras estruturas galácticas. Uma viscosidade maior no Universo primordial, por exemplo, teria influenciado a maneira como matéria e energia se organizaram após o Big Bang.

Impacto na tensão de Hubble e na gravidade

Um dos pontos mais interessantes do modelo é sua possível relação com a chamada tensão de Hubble — a discrepância entre diferentes métodos de medição da taxa de expansão do Universo.

Segundo o estudo, a inclusão da viscosidade nas equações pode ajudar a reduzir essa divergência matemática, oferecendo uma solução alternativa ao impasse que desafia cosmólogos há anos.

O modelo também examina como a fricção espacial poderia influenciar o comportamento gravitacional nos limites de aglomerados de galáxias. Isso abre espaço para revisões em teorias de gravidade modificada e na interpretação de dados de telescópios de última geração.

Entropia, calor e destino final do cosmos

Cosmos Molecula
© Milky Way’s Galactic Core Center – Wikipedia

Outro aspecto explorado é a relação entre viscosidade e entropia cósmica. Se há fricção, há produção de calor — ainda que em escalas extremamente sutis. Isso poderia estar ligado ao aumento do desordem no Universo ao longo do tempo.

Dependendo de como a viscosidade evolua, o destino final do cosmos pode ser diferente do cenário tradicional do “Big Freeze”, no qual o Universo se expande indefinidamente até esfriar completamente.

Se a resistência interna variar, modelos alternativos para o fim do Universo podem ganhar força.

Próximos passos e testes experimentais

A comunidade científica começou a reavaliar simulações cosmológicas para incorporar esse novo parâmetro. Além disso, estão sendo planejados experimentos em laboratórios de alta energia que tentam reproduzir condições extremas análogas às do espaço profundo.

Missões espaciais anteriores também estão sendo reinterpretadas sob essa nova ótica, na tentativa de verificar se sinais sutis de viscosidade já estavam presentes nos dados.

É importante ressaltar que se trata de um modelo teórico em fase inicial. Ainda são necessárias validações independentes e confrontos com observações futuras para determinar se a hipótese se sustenta.

Mesmo assim, a proposta reabre um debate fundamental: o espaço é realmente um vazio absoluto ou um meio dinâmico com propriedades físicas próprias?

Se o Universo for, de fato, viscoso, poderemos estar diante de uma das mudanças conceituais mais profundas da cosmologia desde Einstein — uma revisão que pode transformar nossa compreensão sobre a origem, a evolução e o destino do infinito.

 

[ Fonte: Clarín ]

 

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