Paddington no Peru finalmente chega aos cinemas dos EUA esta semana e, felizmente, é uma adição sólida à franquia da Studio Canal. O filme é dirigido por Dougal Wilson, que assumiu o comando de Paul King; King dirigiu os dois primeiros filmes e tem crédito pela história deste terceiro. O roteiro foi coescrito por James Lamont e Jon Foster, a dupla responsável pela recente série animada do Paddington, e a nova equipe manteve-se fiel à fórmula dos filmes anteriores—talvez até demais.
Ben Whishaw retorna como a voz do Ursinho Paddington, que viaja ao Peru em busca da Tia Lucy (dublada por Imelda Staunton) após receber notícias da Madre Superiora (Olivia Colman) do lar de aposentadoria para ursos de que ela misteriosamente desapareceu na Amazônia. Ele não está sozinho na viagem à América do Sul; buscando uma última aventura em família antes de se tornarem “pais de ninho vazio”, a família Brown também embarca na jornada. O elenco conta com os atores originais Hugh Bonneville como Sr. Brown, Madeline Harris como Judy, Samuel Joslin como Jonathan e Julie Walters como Sra. Bird, com Emily Mortimer assumindo o papel de Sra. Brown no lugar de Sally Hawkins.
Mortimer traz uma caracterização diferente para a Sra. Brown, que parece uma linha do tempo alternativa para a família; sua doçura e natureza acolhedora estão muito mais sutis. Isso muda completamente a dinâmica familiar e a história contada aqui, dando à Sra. Brown o sub-enredo de lidar com Judy e Jonathan sendo adultos o suficiente para sair de casa e ir para a faculdade. É uma trama na qual a Sra. Brown mais individualista e aventureira de Hawkins talvez não se encaixasse tão bem (e também achamos que Hawkins e Bonneville tinham uma química de casal mais convincente). Mas, de certa forma, isso ajuda na transição do papel entre as atrizes, o que, junto com flashbacks e uma nova versão do encontro de Paddington com a Sra. Brown, suaviza nossa entrada neste filme. Mesmo assim, vai levar um tempo para nos acostumarmos com essa nova família Brown.
Para um filme que nos tira de Londres, Paddington no Peru joga seguro na maior parte do tempo. Antonio Banderas aparece como Hunter Cabot, um guia carismático com um barco (não foi esse o personagem que ele fez no último Indiana Jones?) que ajuda os Browns a procurar a Tia Lucy ao longo da Amazônia. Ele e sua filha marinheira Gina (Carla Tous) concordam em ajudar os Browns, embora para Cabot isso traga a tentação de procurar o ouro de El Dorado—ao qual, de alguma forma, a origem de Paddington está conectada. A busca por El Dorado parece um clichê tão genérico que não nos convenceu de imediato. Além disso, os dois primeiros atos trazem uma série de situações previsíveis que remixam elementos dos dois primeiros filmes, até mesmo com vilões que têm a mesma energia dos personagens de Nicole Kidman e Hugh Grant. A jornada até El Dorado acaba parecendo uma comédia pastelão sem sentido, que arranca algumas risadas, mas tem um ritmo irregular.
O charme e o caos que os fãs esperam dos filmes de Paddington dirigidos por King—que ele sempre conduziu com atenção impecável ao ritmo—só aparecem no último ato, quando os temas deste filme meio bagunçado ficam mais claros e o Peru finalmente ganha seu lugar na franquia. Há a Sra. Brown lidando com o ninho vazio, e os Cabot quebrando maldições geracionais com uma leve piscadela para o papel da exploração e da religião na colonização. Mas é a jornada de Paddington em todos os filmes—de não ser aceito em Londres a voltar para seu país para descobrir onde realmente pertence—que brilha. Paddington no Peru aborda de forma inteligente a ignorância xenofóbica que muitas vezes é projetada sobre pessoas marginalizadas cujo lar é o lugar para onde elas chegaram. Foi emocionante de todas as formas que Paddington consegue ser, e nos fez chorar. Paddington no Peru não é perfeito, mas nos deixou certos de uma coisa: mal podemos esperar pelos próximos capítulos de Paddington.
Paddington no Peru estreia em 14 de fevereiro.