O crescimento da popularidade dos chamados bebês reborn — bonecas realistas que imitam recém-nascidos — tem gerado reações distintas. Embora muitos vejam nelas um recurso artístico ou terapêutico, o comportamento de certos donos vem preocupando especialistas. A recente declaração de um padre sobre o tema viralizou e trouxe à tona discussões sobre maturidade emocional e a linha tênue entre fantasia e realidade.
A fala que gerou repercussão
O Padre Chrystian Shankar, conhecido por seu trabalho nas redes sociais e com milhões de seguidores, publicou um texto direto e satírico em que recusa a realização de ritos religiosos para bonecas reborn. Segundo ele, pedidos como batismo, missa de primeira comunhão ou até oração para “libertação espiritual” desses bonecos não têm respaldo na doutrina católica — e devem ser tratados por profissionais da saúde mental.
Na publicação, o sacerdote ironiza a situação, dizendo que “nem missa de 7º dia para reborn que arriou a bateria” ele celebraria. A crítica, embora bem-humorada, foi bem recebida por muitos fiéis, que enxergaram na atitude do padre uma defesa do bom senso e da espiritualidade autêntica.
Além do riso: o alerta sobre saúde emocional
Apesar do tom descontraído, a fala do padre não deixa de tocar em um ponto sensível. Ele reforça que o fenômeno dos bebês reborn, embora tenha começado no meio artístico e entre colecionadores, hoje extrapola fronteiras e merece atenção. Para ele, há uma diferença importante entre o uso terapêutico dessas bonecas e a substituição de vínculos humanos por relações com objetos.
Segundo o sacerdote, a popularidade exagerada dos reborn pode revelar dificuldades emocionais, como luto mal resolvido, solidão profunda ou mesmo resistência ao amadurecimento. Ele afirma que é essencial reconhecer o valor de vínculos reais e promover o desenvolvimento emocional saudável.
A discussão, embora polêmica, abre espaço para uma reflexão importante: em tempos de isolamento e crises emocionais, até que ponto o apego a símbolos pode substituir o contato humano? O alerta do padre, além de inusitado, convida a sociedade a olhar para esse tema com mais empatia — e, ao mesmo tempo, com responsabilidade.
[Fonte: O Globo]