Pular para o conteúdo
Ciência

Para saber quão perigoso um asteroide realmente é, os cientistas precisam descobrir sua massa — e pesquisadores da Johns Hopkins propõem medi-la passando a apenas centenas de metros do objeto

Um novo estudo sugere que sobrevôos extremamente próximos, combinados com sensores de alta precisão e pequenos satélites de apoio, podem revelar a massa de asteroides potencialmente perigosos. A estratégia pode ajudar cientistas a avaliar riscos reais de impacto e planejar futuras missões de defesa planetária.
Por

Tempo de leitura: 3 minutos

A trajetória de um asteroide é a primeira coisa que os astrônomos tentam determinar quando descobrem um novo objeto próximo da Terra. Mas saber para onde ele vai não basta. Para avaliar o risco real de impacto — e decidir como desviá-lo caso seja necessário — os cientistas precisam conhecer outra variável crucial: sua massa.

Determinar esse número, porém, é muito mais difícil do que parece. Asteroides relativamente pequenos exercem uma gravidade tão fraca que desafiam os métodos tradicionais de medição. Agora, pesquisadores do Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory sugerem uma estratégia ousada para resolver o problema: voar incrivelmente perto desses corpos rochosos.

A massa é a chave para entender o risco

Asteroide Art 1
© Unsplash

Asteroides potencialmente perigosos, conhecidos pela sigla em inglês PHA (Potentially Hazardous Asteroids), costumam ter tamanhos entre algumas dezenas e algumas centenas de metros. Embora não sejam gigantes cósmicos, um impacto desses objetos poderia causar danos regionais significativos.

Para estimar o impacto de um eventual choque com a Terra, os cientistas precisam saber:

  • quanta energia o objeto carregaria ao atingir o planeta

  • qual é sua densidade e composição

  • e quanta força seria necessária para alterar sua trajetória

Tudo isso depende diretamente da massa.

O problema é que os métodos tradicionais usados em astronomia — baseados no rastreamento por rádio ou na observação de como um corpo influencia a órbita de outro — funcionam melhor com objetos maiores, como planetas ou grandes luas. Asteroides pequenos simplesmente não exercem gravidade suficiente para produzir efeitos facilmente detectáveis.

Um truque gravitacional

A solução proposta por pesquisadores liderados por Justin Atchison, do Applied Physics Laboratory da Universidade Johns Hopkins, aposta em um princípio simples da física: qualquer objeto com massa exerce atração gravitacional.

Mesmo um asteroide pequeno pode alterar ligeiramente a velocidade de uma nave espacial que passe perto dele. Essa mudança pode ser minúscula, mas sensores modernos são capazes de detectá-la com grande precisão.

Quanto maior for a massa do asteroide, maior será a alteração na trajetória da nave.

A dificuldade está em medir esse efeito quando ele é extremamente fraco. É aqui que entra o elemento central da nova proposta: reduzir drasticamente a distância entre nave e asteroide.

Passar perigosamente perto

A força gravitacional aumenta rapidamente à medida que a distância diminui. Isso significa que um sobrevôo muito próximo pode amplificar o efeito gravitacional o suficiente para torná-lo mensurável.

No estudo publicado no repositório científico arXiv, os pesquisadores sugerem uma missão em duas etapas.

Durante a aproximação ao asteroide, a nave principal liberaria um pequeno satélite do tipo CubeSat, que permaneceria a cerca de 10 quilômetros do objeto. Esse satélite funcionaria como ponto de referência para medições extremamente precisas.

Enquanto isso, a nave principal executaria um sobrevôo extremamente próximo.

Em alguns cenários analisados, a nave passaria a apenas três vezes o diâmetro do asteroide. Para um objeto com cerca de 50 metros de largura, isso significaria voar a aproximadamente 150 metros da superfície — uma distância incrivelmente pequena em termos espaciais.

Velocidade também importa

Colisão De Asteroide Com A Lua
© forplayday – Getty Images

Outro fator crítico para o sucesso da técnica é a velocidade da nave.

Se o sobrevôo ocorrer muito rápido, a gravidade do asteroide terá pouco tempo para alterar a trajetória da nave. O resultado seria um sinal gravitacional fraco demais para ser detectado com precisão.

Por isso, os pesquisadores sugerem reduzir ao máximo a velocidade relativa durante a aproximação. Quanto mais tempo a nave permanecer sob a influência gravitacional do asteroide, mais claros serão os dados coletados.

Ainda assim, existem limites práticos impostos pela mecânica orbital. Manter uma nave muito lenta ou estacionária perto de um objeto tão pequeno é extremamente difícil.

Um passo importante para a defesa planetária

Embora a proposta ainda seja teórica, ela surge em um momento em que o interesse por defesa planetária cresce rapidamente. Missões recentes, como a missão DART, da NASA, demonstraram que é possível alterar a órbita de um asteroide por meio de impacto cinético.

Mas para planejar esse tipo de operação, conhecer a massa do alvo é essencial.

Um asteroide sólido de metal pode reagir de forma muito diferente de um objeto formado por uma pilha de rochas soltas. Sem conhecer sua massa e estrutura interna, qualquer tentativa de desvio se torna uma aposta.

Se a técnica proposta pelos pesquisadores funcionar em futuras missões espaciais, ela poderá fornecer uma ferramenta valiosa para medir rapidamente a massa de asteroides potencialmente perigosos — um passo fundamental para proteger o planeta contra ameaças vindas do espaço.

 

[ Fonte: Meteored ]

 

Partilhe este artigo

Artigos relacionados