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Ciência

Perseidas 2025: como ver a chuva de estrelas mais famosa do ano apesar do brilho da Lua

Entre 12 e 13 de agosto, o céu será palco das Perseidas, uma das chuvas de meteoros mais aguardadas do calendário astronômico. Em 2025, porém, a Lua estará mais brilhante que o ideal — e isso exigirá estratégia para garantir um espetáculo inesquecível.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Todo mês de agosto, observadores do céu no hemisfério norte têm um encontro marcado com as Perseidas, também chamadas de “Lágrimas de São Lourenço”. Este fenômeno, que mistura ciência, história e mitologia, promete sempre um show de luzes. Mas, em 2025, o desafio será maior: a Lua, em fase gibosa minguante e com 83% de iluminação, pode ofuscar boa parte dos meteoros. Mesmo assim, com planejamento e paciência, será possível ver alguns dos eventos mais impressionantes da chuva.

A origem cósmica das “Lágrimas de São Lourenço”

As Perseidas são formadas pelos detritos do cometa 109P/Swift-Tuttle, descoberto em 1862. Com cerca de 26 km de diâmetro, ele é o maior objeto conhecido a cruzar periodicamente a órbita da Terra, completando uma volta ao Sol a cada 133 anos.

Ao se aproximar do Sol, o cometa libera poeira e fragmentos de rocha que ficam espalhados ao longo de sua órbita. Todos os anos, entre julho e agosto, a Terra atravessa essa trilha cósmica. Ao entrar na atmosfera a até 59 km/s, essas partículas — quase sempre do tamanho de um grão de areia — queimam e produzem os rastros luminosos que chamamos de meteoros.

Entre mitos e registros históricos

Perseidas
© X – @SpaceToday1

A primeira menção documentada das Perseidas vem da China, no ano 36 d.C. No Ocidente, o nome popular se consolidou por causa da coincidência do pico da chuva com o dia de São Lourenço, martirizado em Roma em 10 de agosto de 258. Na Idade Média, os meteoros foram interpretados como lágrimas de fogo do santo.

Em 1835, o astrônomo belga Adolphe Quetelet comprovou cientificamente que o fenômeno era cíclico, com radiante na constelação de Perseu.

Quando e onde observar em 2025

A atividade das Perseidas ocorrerá entre 17 de julho e 24 de agosto, com pico previsto na madrugada de 12 para 13 de agosto. O melhor horário será por volta das 02h38 UTC do dia 13 — 04h38 na Espanha continental e ainda noite na maior parte da América Latina.

O problema é que a Lua estará iluminando fortemente o céu, reduzindo a visibilidade. A média teórica de 100 a 150 meteoros por hora cairá significativamente. O destaque ficará por conta das chamadas “bolas de fogo” — meteoros excepcionalmente brilhantes que podem ser vistos mesmo sob forte luz lunar.

Dicas essenciais para a observação

  • Priorize locais escuros: afaste-se de áreas urbanas e de poluição luminosa.

  • Olho nu: binóculos e telescópios têm campo de visão reduzido e não ajudam.

  • Conforto: leve cadeira reclinável, manta ou colchonete para passar horas olhando para o céu.

  • Proteção contra o frio: mesmo no verão, as madrugadas podem ser geladas.

  • Luz adequada: use lanternas com filtro vermelho para não prejudicar a adaptação dos olhos.

  • Provisões: água, café ou chá quente e lanches ajudam a manter a energia.

Melhores lugares para assistir

  • Europa: parques e reservas certificados como “Dark Sky” no Reino Unido (Northumberland, Brecon Beacons), França (Parque Nacional de Cévennes), Portugal (Reserva Dark Sky Alqueva) e Grécia (Monte Olimpo e Creta).

  • Espanha: ilhas Canárias, Serra de Gredos, e destinos Starlight reconhecidos pela Fundação Starlight.

  • México: Parque Nacional de San Pedro Mártir, Pico de Orizaba, deserto de Wirikuta.

  • Chile: Deserto do Atacama, Vale do Elqui, Parque Nacional Fray Jorge.

  • Argentina: San Juan e Mendoza, com mais de 300 noites limpas por ano.

  • Colômbia: Deserto da Tatacoa; Costa Rica: litoral de Guanacaste.

Um desafio que vale a pena

Embora 2025 não ofereça as condições ideais, a observação das Perseidas pode ser memorável para quem se preparar. A chance de ver bolas de fogo cruzando o céu sob o brilho da Lua é rara — e, para muitos, ainda mais emocionante.

 

[ Fonte: Euronews ]

 

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