Todo mês de agosto, observadores do céu no hemisfério norte têm um encontro marcado com as Perseidas, também chamadas de “Lágrimas de São Lourenço”. Este fenômeno, que mistura ciência, história e mitologia, promete sempre um show de luzes. Mas, em 2025, o desafio será maior: a Lua, em fase gibosa minguante e com 83% de iluminação, pode ofuscar boa parte dos meteoros. Mesmo assim, com planejamento e paciência, será possível ver alguns dos eventos mais impressionantes da chuva.
A origem cósmica das “Lágrimas de São Lourenço”
As Perseidas são formadas pelos detritos do cometa 109P/Swift-Tuttle, descoberto em 1862. Com cerca de 26 km de diâmetro, ele é o maior objeto conhecido a cruzar periodicamente a órbita da Terra, completando uma volta ao Sol a cada 133 anos.
Ao se aproximar do Sol, o cometa libera poeira e fragmentos de rocha que ficam espalhados ao longo de sua órbita. Todos os anos, entre julho e agosto, a Terra atravessa essa trilha cósmica. Ao entrar na atmosfera a até 59 km/s, essas partículas — quase sempre do tamanho de um grão de areia — queimam e produzem os rastros luminosos que chamamos de meteoros.
Entre mitos e registros históricos

A primeira menção documentada das Perseidas vem da China, no ano 36 d.C. No Ocidente, o nome popular se consolidou por causa da coincidência do pico da chuva com o dia de São Lourenço, martirizado em Roma em 10 de agosto de 258. Na Idade Média, os meteoros foram interpretados como lágrimas de fogo do santo.
Em 1835, o astrônomo belga Adolphe Quetelet comprovou cientificamente que o fenômeno era cíclico, com radiante na constelação de Perseu.
Quando e onde observar em 2025
A atividade das Perseidas ocorrerá entre 17 de julho e 24 de agosto, com pico previsto na madrugada de 12 para 13 de agosto. O melhor horário será por volta das 02h38 UTC do dia 13 — 04h38 na Espanha continental e ainda noite na maior parte da América Latina.
O problema é que a Lua estará iluminando fortemente o céu, reduzindo a visibilidade. A média teórica de 100 a 150 meteoros por hora cairá significativamente. O destaque ficará por conta das chamadas “bolas de fogo” — meteoros excepcionalmente brilhantes que podem ser vistos mesmo sob forte luz lunar.
Dicas essenciais para a observação
- Priorize locais escuros: afaste-se de áreas urbanas e de poluição luminosa.
- Olho nu: binóculos e telescópios têm campo de visão reduzido e não ajudam.
- Conforto: leve cadeira reclinável, manta ou colchonete para passar horas olhando para o céu.
- Proteção contra o frio: mesmo no verão, as madrugadas podem ser geladas.
- Luz adequada: use lanternas com filtro vermelho para não prejudicar a adaptação dos olhos.
- Provisões: água, café ou chá quente e lanches ajudam a manter a energia.
Melhores lugares para assistir
- Europa: parques e reservas certificados como “Dark Sky” no Reino Unido (Northumberland, Brecon Beacons), França (Parque Nacional de Cévennes), Portugal (Reserva Dark Sky Alqueva) e Grécia (Monte Olimpo e Creta).
- Espanha: ilhas Canárias, Serra de Gredos, e destinos Starlight reconhecidos pela Fundação Starlight.
- México: Parque Nacional de San Pedro Mártir, Pico de Orizaba, deserto de Wirikuta.
- Chile: Deserto do Atacama, Vale do Elqui, Parque Nacional Fray Jorge.
- Argentina: San Juan e Mendoza, com mais de 300 noites limpas por ano.
- Colômbia: Deserto da Tatacoa; Costa Rica: litoral de Guanacaste.
Um desafio que vale a pena
Embora 2025 não ofereça as condições ideais, a observação das Perseidas pode ser memorável para quem se preparar. A chance de ver bolas de fogo cruzando o céu sob o brilho da Lua é rara — e, para muitos, ainda mais emocionante.
[ Fonte: Euronews ]