O cenário dos meios de pagamento no Brasil está em rápida transformação. Impulsionado pela digitalização da economia e pela busca por praticidade, o Pix passou de novidade a protagonista nas transações financeiras. Agora, com o parcelamento ganhando espaço, o Pix começa a ocupar também o papel que antes era exclusivo do cartão de crédito — e pode estar inaugurando uma nova era de consumo.
Queda do dinheiro vivo e ascensão dos pagamentos digitais
Segundo pesquisa do Google, apenas 6% dos brasileiros ainda usam dinheiro em espécie como principal meio de pagamento. Em contrapartida, o Pix já está presente na rotina de 92% dos adultos e movimentou cerca de R$ 64 bilhões somente em 2024.
Apesar do avanço do Pix, o cartão de crédito permanece como o segundo meio mais utilizado no país. Nos últimos cinco anos, 58% dos entrevistados afirmaram ter aumentado seus gastos com ele. Entre os motivos, estão os programas de recompensas, especialmente atrativos para a classe A, e o aumento do limite, fundamental para as classes D e E.
Pix parcelado: alternativa ao crédito tradicional
Uma novidade está ganhando espaço nesse cenário: o Pix parcelado. Previsto para ser lançado oficialmente em setembro, o recurso já está disponível em algumas instituições financeiras e é conhecido por 52% dos brasileiros.
A proposta é simples: o valor total é creditado na hora na conta do recebedor, enquanto o pagador quita a compra em parcelas, sem comprometer o limite do cartão de crédito. Diante da situação econômica atual, essa possibilidade tem atraído consumidores que buscam flexibilidade sem abrir mão da praticidade.
Gastos com itens de maior valor, como passagens, estadias e eletrônicos, continuam sendo realizados majoritariamente via cartão de crédito. No entanto, quando o limite precisa ser preservado para outras compras, muitos preferem parcelar via Pix.
Onde o Pix reina soberano
No ambiente digital, o Pix domina transações relacionadas a serviços de assinatura, compras em aplicativos de entrega, transferências entre familiares e pequenas compras online. Já nas interações presenciais, a ferramenta se destaca no comércio cotidiano, em restaurantes, lazer e entre prestadores de serviço.
Atualmente, 9 em cada 10 lojistas já oferecem o Pix como forma de pagamento, e a maioria prefere esse meio, tanto pela agilidade quanto pela menor taxa de operação.
Uma nova lógica de consumo
Gustavo Pena, head de Indústria e Fintechs do Google, destacou em entrevista à CNN que os meios de pagamento tradicionais, como o cartão de crédito, continuarão coexistindo com soluções inovadoras como o Pix. Ele vê o futuro dos pagamentos como um ecossistema híbrido e complementar.
Essa visão é reforçada pelos dados da pesquisa: 86% dos brasileiros consideram o Pix o meio de pagamento do futuro. Outros 80% apontam a ferramenta como mais rápida e 75% afirmam que é mais fácil de usar em comparação ao cartão.
Thais Melendez, líder de Insights Estratégicos do Google, acredita que o consumidor está cada vez mais empoderado financeiramente e utiliza ferramentas digitais para organizar melhor seus gastos. “O Pix vem como facilitador nesse processo”, afirma.
Perfil do usuário e expansão
O estudo mostra que o uso do Pix cresce em todas as faixas etárias, classes sociais e regiões do país. No entanto, o maior índice de adesão está entre os jovens de 18 a 24 anos, com 76% de uso. Entre os brasileiros com mais de 55 anos, esse número cai para 42%.
Entre os formatos, o Pix por transferência é o mais popular, usado por 84% da população, seguido pelas opções via QR Code e por aproximação.
[ Fonte: CNN Brasil ]