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Ciência

Astrônomos descobrem planeta “esticado” perto de uma estrela morta

Parece piada cósmica, mas é ciência de ponta. Astrônomos usando o Telescópio Espacial James Webb identificaram um exoplaneta com formato alongado, parecido com um limão, e uma atmosfera que não se parece com nada já visto. A descoberta está deixando cientistas coçando a cabeça — e reforça como o universo ainda é muito mais estranho do que imaginávamos.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Um exoplaneta totalmente fora do padrão

O planeta foi batizado de PSR J2322-2650b e tem massa próxima à de Júpiter. Até aí, nada muito fora do comum. O problema começa quando se olha onde — e como — ele existe.

Esse exoplaneta orbita um pulsar, um tipo extremo de estrela morta que gira rapidamente e emite feixes intensos de radiação, como um farol cósmico. Ambientes assim costumam ser hostis até para estrelas companheiras, quanto mais para planetas.

Planetas em torno de pulsars até existem — os primeiros exoplanetas confirmados, lá em 1992, estavam nesse tipo de sistema. Mas nenhum deles parecia com isso.

Um planeta esticado pela gravidade

Planeta em forma de limão intriga cientistas após observação do James Webb
© https://x.com/En_formare/

O formato de “limão” do PSR J2322-2650b não é exagero. Ele é elipsoidal, mais parecido com uma bola de futebol americano do que com uma esfera. A causa é brutal: forças gravitacionais extremas.

O planeta está a apenas 1,6 milhão de quilômetros do pulsar — cerca de 100 vezes mais perto do que a Terra está do Sol. Ele completa uma órbita inteira em apenas oito horas. A gravidade do pulsar literalmente estica o planeta, deformando sua estrutura.

Além disso, o exoplaneta está em rotação sincronizada. Um lado fica sempre voltado para a estrela morta, enquanto o outro permanece eternamente no escuro. O resultado são contrastes absurdos de temperatura.

Temperaturas extremas e um clima infernal

No lado iluminado, a superfície atinge cerca de 2.040 °C. No lado noturno, a temperatura cai para algo em torno de 650 °C. Sim, até o “lado frio” continua absurdamente quente para qualquer padrão conhecido.

Essas condições extremas ajudam a explicar parte do próximo mistério — mas não tudo.

Uma atmosfera que nunca foi vista antes

O que realmente deixou os cientistas intrigados foi a atmosfera do planeta. Em vez de água, metano ou dióxido de carbono — comuns em exoplanetas —, o James Webb detectou uma composição dominada por hélio e carbono molecular.

Mais especificamente, aparecem sinais claros de C₂ e C₃, formas raras de carbono molecular. Oxigênio e nitrogênio, elementos quase onipresentes em atmosferas planetárias, estão praticamente ausentes.

Entre mais de 150 atmosferas de exoplanetas já analisadas, nenhuma se parece com essa.

Chuva de diamantes? Talvez

Uma das hipóteses levantadas pelos pesquisadores é ainda mais surreal: o planeta pode formar nuvens de fuligem de carbono, que se condensam e criam cristais parecidos com diamantes, precipitando na atmosfera.

Apesar de fascinante, a ideia ainda não explica completamente como esse planeta se formou nem por que sua composição química é tão diferente de tudo o que conhecemos.

Por que esse planeta desafia a ciência

O chamado “planeta limão” reúne uma combinação rara de fatores extremos:

– formato elipsoidal causado por forças gravitacionais violentas

– órbita ultrarrápida e extremamente próxima a um pulsar

– atmosfera dominada por hélio e carbono molecular

– ausência de moléculas comuns em outros exoplanetas

– diferenças térmicas brutais entre dia e noite

Para os cientistas, ele não parece ter se formado por nenhum modelo clássico conhecido — nem de planetas comuns, nem de sistemas com estrelas mortas.

O universo ainda guarda surpresas

Mais do que oferecer respostas, o PSR J2322-2650b levanta novas perguntas. Ele mostra que planetas podem existir — e sobreviver — em ambientes que antes pareciam impossíveis.

Descobertas como essa ajudam a expandir os limites do que a ciência considera plausível. E deixam um recado claro: quanto mais a gente observa o universo com instrumentos como o James Webb, mais ele prova que ainda sabe nos surpreender.

[Fonte: Olhar digital]

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