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Ciência

Por que elas vivem mais? Uma resposta que vai muito além dos hábitos

Em quase todos os países e até em outras espécies, as fêmeas vivem mais que os machos. Mas essa diferença não se explica apenas por cuidados pessoais. Pesquisas recentes revelam um conjunto surpreendente de fatores biológicos, hormonais e genéticos que moldam essa vantagem desde o nascimento — e alguns resultados históricos são realmente impressionantes.
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Tempo de leitura: 2 minutos

A diferença de longevidade entre mulheres e homens é tão antiga quanto universal. Embora hábitos saudáveis influenciem, eles não explicam sozinhos por que elas vivem mais em praticamente todos os contextos: sociedades modernas, populações históricas e até no mundo animal. Estudos recentes mostram que essa vantagem nasce de uma combinação profunda entre biologia, hormônios, genética e comportamento. Entender essa dinâmica pode ajudar a promover uma vida mais longa e saudável para todos.

Um padrão global que atravessa culturas, épocas e espécies

Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que as mulheres vivem em média 73,8 anos, enquanto os homens chegam a 69,1. Fatores como menor consumo de álcool, maior prevenção e hábitos alimentares mais equilibrados contribuem, mas não encerram a explicação.
Pesquisadores destacam que, em muitas espécies — de mamíferos a aves — as fêmeas também vivem mais. Isso sugere que a origem da vantagem é biológica, sendo apenas ampliada pelo comportamento humano.
Além disso, historicamente os homens se expõem mais a riscos, negligenciam cuidados médicos e apresentam índices mais elevados de suicídio, o que intensifica a diferença.

Hormônios: aliados silenciosos da longevidade feminina

Entre os elementos centrais dessa vantagem estão os hormônios. Estrógeno e progesterona funcionam como potentes antioxidantes naturais: fortalecem o sistema imunológico, protegem o coração e retardam danos celulares.
A testosterona, dominante nos homens, está associada a comportamentos mais arriscados e a efeitos biológicos que favorecem hipertensão, aterosclerose e até maior probabilidade de câncer de próstata.
Um estudo do pesquisador Han-Nam Park analisou 81 eunucos da Dinastia Joseon: sem testosterona desde cedo, eles viviam cerca de 70 anos — contra pouco mais de 50 para outros homens da corte — e tinham 130 vezes mais chance de chegar aos 100.

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© Andrea Piacquadio

Genética: a vantagem do duplo cromossomo X

A genética reforça ainda mais a diferença. As mulheres possuem dois cromossomos X, o que oferece uma espécie de “backup” caso um apresente mutações. Segundo o Instituto Max Planck, isso reduz vulnerabilidades desde o nascimento.
Os homens, com apenas um cromossomo X, têm maior risco de sofrer consequências de mutações, o que explica a maior mortalidade de bebês meninos por doenças genéticas e infecções nos primeiros meses de vida.

Uma diferença que se expressa desde o nascimento e segue até a velhice

A brecha varia entre países: de 2 a 3 anos em lugares como Nigéria e Nova Zelândia, chegando a mais de 10 em Rússia e Belarus. Mas a tendência permanece — e começa cedo.
Na juventude, a mortalidade masculina aumenta por comportamentos de risco. Na vida adulta e na velhice, doenças crônicas e anos de hábitos menos saudáveis ampliam o impacto.
A longevidade feminina é, portanto, resultado de uma interação complexa entre biologia, hormônios, genética e estilo de vida, moldada desde os primeiros dias e mantida ao longo de toda a vida.

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