Pular para o conteúdo
Ciência

Por que sentimos falta de quem nos machucou? A ciência tem uma explicação surpreendente

Sentir saudade de alguém que nos fez sofrer pode parecer contraditório — mas é mais comum do que se imagina. A psicologia revela os mecanismos emocionais e mentais por trás desse apego, mesmo a vínculos tóxicos. Entenda por que isso acontece e como lidar com essa saudade que também dói.
Por

Tempo de leitura: 2 minutos

A saudade costuma ser associada a momentos felizes ou a pessoas queridas. No entanto, muitas vezes, o que mais persiste na memória emocional não são os bons tempos, mas os vínculos que mais nos feriram. Por que sentimos falta de quem nos fez mal? A psicologia tem investigado essa questão e oferece respostas importantes para quem busca compreender — e superar — esse tipo de apego doloroso.

A natureza emocional da saudade

Sentir saudade vai além de lembrar. Trata-se de um processo emocional profundo, que surge diante da ausência de algo ou alguém que teve forte impacto na nossa vida — positivo ou negativo. Quando uma relação se rompe, o luto emocional é ativado: tristeza, negação, raiva e até idealização entram em cena.

Mesmo que a relação tenha sido tóxica ou dolorosa, o hábito, a ligação emocional e o tempo compartilhado podem despertar um desejo de retorno. O cérebro, por ter sido exposto a uma rotina de convívio, registra a presença da pessoa como algo familiar — e isso alimenta a saudade.

Natureza Emocional Da Saudade
© iStock

 

Por que idealizamos quem nos feriu

A explicação mais recorrente na psicologia é a idealização do passado. Nosso cérebro não registra os fatos como uma câmera, mas sim os reorganiza, suaviza ou distorce conforme nossas emoções. Assim, acabamos nos apegando aos raros momentos bons e minimizando os prejuízos emocionais da relação.

Em pessoas com dependência afetiva ou baixa autoestima, esse efeito se intensifica. O vínculo é confundido com segurança ou estabilidade, mesmo que tenha causado sofrimento. Além disso, certos gatilhos — como músicas, cheiros ou lugares — podem reativar lembranças e fazer parecer que sentimos falta da pessoa, quando, na verdade, estamos apenas revivendo uma fase marcante da vida.

Como lidar com a saudade de relações dolorosas

Superar esse tipo de saudade exige trabalho emocional consciente. A psicologia recomenda acolher as emoções sem julgá-las, mas também sem se prender a elas. Validar o que foi vivido, reconhecer os danos sofridos e romper com a narrativa de que “nem foi tão ruim assim” são passos fundamentais.

Fortalecer a autoestima, desenvolver a autonomia afetiva e compreender os padrões que levaram àquela relação ajudam a sair do ciclo. E, quando necessário, buscar ajuda profissional pode ser o melhor caminho para construir vínculos mais saudáveis no futuro — com o outro e com você mesmo.

Partilhe este artigo

Artigos relacionados