Quem costuma visitar ou viver no litoral de São Paulo talvez não imagine o quanto as paisagens conhecidas estão mudando — e em ritmo acelerado. Um estudo recente mostrou que muitas praias podem ter os dias contados. O avanço do mar, impulsionado por fatores naturais e ações humanas, está transformando a geografia costeira e acendendo um alerta vermelho para dezenas de municípios.
O impacto do mar sobre as cidades costeiras

Divulgado pelo Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA), o novo Mapa de Risco de Erosão Costeira Crônica e Inundação Costeira detalha o grau de vulnerabilidade de praias em toda a orla oceânica paulista. O levantamento indica os pontos mais afetados pela erosão, listando praias e cidades que estão perdendo território para o mar.
Segundo especialistas, cerca de 40% do litoral brasileiro já apresenta sinais preocupantes de erosão. As causas vão desde obras que alteram o fluxo natural dos rios, como barragens e retirada de areia, até efeitos do clima, como variações nas chuvas e o aumento do nível do mar provocado pelo aquecimento global.
A consequência mais visível é a redução da faixa de areia, que compromete áreas urbanas, vegetação nativa e estruturas construídas próximas à costa. Em alguns pontos, a situação exige ações emergenciais para conter o avanço das águas e evitar tragédias maiores.
Locais mais afetados e a urgência do alerta
Entre os exemplos mais dramáticos está a cidade de São Vicente. Fundada em 1532, ela testemunha há séculos o avanço contínuo do mar. A Praia do Gonzaguinha, um dos cartões-postais da cidade, vem sofrendo erosão desde os primórdios da colonização e hoje está entre as regiões classificadas com risco “muito alto”.
A lista completa do estudo é extensa e revela que a ameaça se espalha por todo o litoral paulista. Ubatuba, São Sebastião, Bertioga, Guarujá, Praia Grande, Ilhabela, Santos, Peruíbe e outras cidades têm diversas praias em alerta máximo. Em Ubatuba, por exemplo, praias como Itamambuca, Vermelha do Centro e Praia Grande estão entre as mais vulneráveis. Já no Guarujá, nomes populares como Pitangueiras, Astúrias e Tombo aparecem em destaque.
O cenário mostra que não se trata de um problema pontual, mas de uma crise ambiental em escala regional. As medidas de contenção ainda são tímidas diante da velocidade das mudanças. Especialistas alertam que, sem planejamento, infraestrutura adaptada e ações sustentáveis, o prejuízo pode ser irreversível — não apenas para o turismo, mas para a vida de milhares de pessoas que vivem nessas áreas.
Preservar o litoral é, mais do que nunca, uma corrida contra o tempo. E cada praia perdida representa não só um pedaço de território, mas uma parte da história e da identidade de seus moradores.
[Fonte: Diário do Litoral]