O Brasil registrou nesta semana um marco importante e delicado para sua avicultura: o primeiro caso de gripe aviária em uma granja comercial. A descoberta do foco da doença, que até então se limitava a aves silvestres no país, exige atenção das autoridades sanitárias e traz possíveis impactos econômicos, embora não represente riscos para o consumidor. A seguir, entenda os detalhes da situação, as medidas adotadas e o que se sabe sobre a segurança alimentar.
Detecção inédita em granja comercial no RS
GRIPE AVIÁRIA E BRASIL 🚨
@Mapa_Brasil declara emergência zoossanitária, por 60 dias, pela detecção de Influenza Aviário de Alta Patogenicidade em aves comerciais, em Montenegro, no RIO GRANDE DO SUL.
É o 1º foco detectado em sistema de avicultura comercial no Brasil pic.twitter.com/iz68hdvvqv
— Mellanie F. Dutra (@mellziland) May 16, 2025
Na quinta-feira (15), o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou a presença do vírus da gripe aviária H5N1 em uma granja localizada no município de Montenegro, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Essa é a primeira vez que a influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP) é identificada em uma criação comercial no Brasil.
Até então, os registros no país envolviam apenas aves silvestres. Desde 2006, o vírus circula principalmente na Ásia, África e Europa. A confirmação ocorreu após análise de amostras enviadas ao Laboratório Federal de Diagnóstico Agropecuário em Campinas (SP).
Isolamento da área e ações emergenciais
Com a detecção, a área afetada em Montenegro foi imediatamente isolada e todas as aves da granja foram sacrificadas. Segundo a Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Sul, uma investigação será realizada em um raio de 10 km ao redor do foco, incluindo o rastreamento de possíveis conexões com outras propriedades.
Além disso, o vírus foi identificado em aves do Zoológico de Sapucaia do Sul, que permanece fechado ao público. As autoridades aguardam o resultado do sequenciamento genético dos animais para entender melhor a situação.
Consumo de carne e ovos continua seguro
Um ponto central ressaltado pelas autoridades é que a gripe aviária não é transmitida pelo consumo de carne de frango ou ovos. O Mapa reforçou que os produtos inspecionados continuam seguros, e não há qualquer restrição ao seu consumo por parte da população.
O risco de infecção humana existe, mas é considerado baixo, ocorrendo geralmente em pessoas com contato direto e intenso com aves infectadas. Ainda assim, o governo já acionou o Plano Nacional de Contingência, que prevê medidas rígidas para conter a disseminação do vírus e proteger a cadeia produtiva.
Impacto internacional: suspensão da China
Apesar da segurança alimentar confirmada, as repercussões comerciais começaram a surgir. A China, um dos principais compradores de carne de frango do Brasil, decidiu suspender as importações por 60 dias. O anúncio foi feito pelo ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, e já gera preocupação entre exportadores.
Embora a suspensão seja temporária, ela destaca a sensibilidade do mercado internacional diante de casos de gripe aviária, mesmo quando controlados de forma rápida e eficaz.
O que é a influenza aviária H5N1?
A gripe aviária H5N1 é uma doença viral que atinge, principalmente, aves. Pode se apresentar de duas formas: de baixa ou alta patogenicidade. No caso do subtipo H5N1 detectado no RS, trata-se de um vírus de alta patogenicidade (HPAI), com alto índice de mortalidade e progressão rápida.
Entre os sintomas observados nas aves estão depressão intensa, dificuldades respiratórias, sinais neurológicos, cianose, necrose em pele e órgãos internos, além de alterações na postura e deformações nos ovos.
Nota técnica e posicionamento oficial
A Secretaria da Agricultura do RS divulgou nota confirmando o atendimento da suspeita no dia 12 de maio e reiterando a segurança no consumo de produtos de origem aviária. O Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal segue coordenando as ações de contenção conforme os protocolos oficiais.
Além disso, o governo federal notificou imediatamente os organismos internacionais e parceiros comerciais sobre a ocorrência, em linha com os compromissos de transparência sanitária global.
Fonte: G1.Globo