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Proibido e perigoso: Anvisa bane três marcas de “café fake” com toxina prejudicial à saúde

Após detectar uma substância tóxica associada a doenças renais e outros riscos à saúde, a Anvisa proibiu a produção e a venda de três marcas de bebida com sabor de café. Entenda o que está por trás desses produtos disfarçados e como se proteger de fraudes nas prateleiras.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O que parece café nem sempre é. A Anvisa proibiu a fabricação e a comercialização de três marcas de “pó sabor café” por conterem ingredientes irregulares e até toxinas perigosas. A medida reforça a importância de atenção na hora da compra e acende um alerta para fraudes que afetam diretamente a saúde do consumidor.

 

Tóxicos e disfarçados: o alerta da Anvisa

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a proibição imediata da fabricação, distribuição, comercialização e propaganda dos produtos das marcas Melissa, Pingo Preto e Oficial. A decisão se baseou na presença de ocratoxina A (OTA), uma substância tóxica considerada imprópria para o consumo humano.

Além disso, os produtos foram considerados enganosos, pois se apresentavam como “café torrado e moído” ou “polpa de café”, mas continham grãos crus, resíduos e até matéria estranha, como galhos e cascas.

A medida vale para todos os lotes existentes no mercado, que deverão ser recolhidos pelos fabricantes. A resolução foi publicada no Diário Oficial da União nesta segunda-feira, 2 de junho.

 

Denúncia de “lixo da lavoura” e produtos mascarados

As investigações começaram ainda em maio, quando o Ministério da Agricultura e Pecuária já havia desclassificado os produtos, após identificar fraudes na composição. Hugo Caruso, diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal, chegou a afirmar que os produtos eram feitos de “lixo da lavoura”.

As análises identificaram impurezas e matérias estranhas acima do limite permitido por lei, que é de 1%. Isso inclui areia, pedras, sementes de outras espécies e restos vegetais.

A empresa Duas Marias, responsável pelo produto Melissa, afirmou que o item não é comercializado como “café torrado e moído” e que utiliza uma “formulação alternativa permitida por lei”. Ainda assim, a Anvisa considerou o risco elevado o suficiente para a suspensão total.

 

A ameaça invisível: o que é a ocratoxina A?

Cafe Fake 1
© Leiada Krözjhen – Unsplash

A OTA é uma micotoxina produzida por fungos que podem contaminar grãos, incluindo o café. Ela é altamente prejudicial aos rins, sendo associada a casos de doenças renais crônicas, tumores no trato urinário e inflamações de longa duração.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), há também evidências de que a substância pode afetar o sistema imunológico e o desenvolvimento fetal. Em estudos com animais, os efeitos tóxicos da OTA foram bem documentados, incluindo potencial carcinogênico.

Mesmo que os impactos diretos em humanos ainda estejam sendo estudados, os órgãos de vigilância tratam a presença da toxina com rigor máximo.

 

O que o consumidor deve fazer?

O Ministério da Agricultura orienta que qualquer pessoa que tenha adquirido produtos das marcas citadas interrompa o consumo imediatamente. É possível solicitar a substituição ou reembolso com base no Código de Defesa do Consumidor.

Caso o produto ainda esteja à venda, o consumidor pode denunciar o estabelecimento por meio da plataforma Fala.BR, indicando nome e endereço do local onde a compra foi realizada.

Além disso, a recomendação é redobrar a atenção na leitura dos rótulos: produtos classificados como “pó sabor café” podem conter ingredientes diferentes do café tradicional. Sempre prefira marcas reconhecidas e verifique se há registro no Ministério da Agricultura.

 

[ Fonte: G1.Globo ]

 

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