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Ciência

Quando ser “natural” ainda significa ser magra: a nova armadilha estética

Uma tendência que parecia superada está de volta, mas com novos nomes e disfarces. Redes sociais, moda e discursos sobre saúde estão revivendo um padrão estético perigoso. O foco? O abdômen chapado. Descubra como essa pressão afeta a saúde mental, especialmente dos jovens, e por que é hora de repensar o que chamamos de beleza.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Vivemos um momento de maior diversidade corporal nas campanhas publicitárias, no entretenimento e até nas passarelas. Mas, silenciosamente, um velho ideal estético está retornando — disfarçado de saúde, bem-estar e “aceitação realista”. O culto ao abdômen seco e à “barriga negativa” reaparece com força nas redes sociais e preocupa especialistas em saúde mental e distúrbios alimentares.

Uma tendência antiga, com cara de nova

O que hoje se chama de “corpo médio” ou “corpo natural” viralizou no TikTok, mas não representa verdadeira inclusão. A proposta “nem magra, nem gorda” na prática reforça um padrão magro como referência — apenas com uma estética mais leve e menos explícita. A influenciadora espanhola Carla Flila, entre outras, já alertou sobre o perigo dessa linguagem que se apresenta como libertadora, mas continua excluindo corpos reais.

Dicas perigosas disfarçadas de bem-estar

Em meio a vídeos de receitas detox e treinos milagrosos de “10 minutos para barriga chapada”, cresce o risco da normalização de práticas alimentares restritivas e hábitos corporais insustentáveis. Muitas dessas rotinas não têm respaldo científico e promovem uma relação distorcida com o corpo. A consequência? Aumento nos casos de compulsão, ansiedade alimentar e baixa autoestima.

Armadilha Estética (2)
© Mikhail Nilov – Pexels

A gordofobia não foi embora — só mudou de roupa

Segundo um levantamento recente da UNIR, mais de 40% dos adolescentes já demonstram atitudes gordofóbicas, muitas vezes internalizadas por meio de conteúdos aparentemente “positivos”. O julgamento do corpo alheio — e principalmente do próprio — segue alimentando ciclos de vergonha, comparação e insatisfação. E tudo isso é reforçado por filtros, frases motivacionais vazias e estéticas altamente editadas.

A história se repete com novos algoritmos

Não é a primeira vez que a sociedade transforma o corpo feminino em campo de controle. Dos espartilhos do século XIX ao ideal do “heroin chic” nos anos 2000, padrões inatingíveis voltam periodicamente sob nova roupagem. Agora, são as estéticas Y2K e a volta das modelos ultramagras que ressuscitam esse ciclo. A diferença? Antes era nas revistas. Hoje, está no feed de todos.

Por que esse padrão precisa ser questionado

O retorno à obsessão por uma silhueta específica não é apenas uma moda: é um retrocesso. E, como sempre, os efeitos não são apenas estéticos — são emocionais, físicos e sociais. Romper esse ciclo começa por reconhecer que saúde e beleza não têm uma única forma. A libertação está na pluralidade, não na repetição.

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