Houve um tempo em que carregar um celular da Sony era símbolo de inovação. Dos icônicos Sony Ericsson aos primeiros Xperia, a marca ajudou a moldar a história da telefonia móvel. Duas décadas depois, o cenário é outro: concorrência feroz, vendas tímidas e pouca visibilidade. Ainda assim, enquanto muitos acreditavam no fim da linha, a empresa prepara uma nova investida que pode redefinir seu futuro no setor.
De ícone tecnológico a presença discreta

A trajetória da divisão móvel da Sony começa no início dos anos 2000, quando os aparelhos Sony Ericsson se tornaram referência em design e recursos multimídia. Modelos como o W800, da linha Walkman, marcaram época ao transformar o celular em um tocador de música portátil de alta qualidade.
Com o avanço dos smartphones e a chegada do primeiro iPhone, a empresa reagiu lançando o Sony Xperia X1, tentando se posicionar na nova era dos dispositivos inteligentes. A família Xperia sobreviveu ao longo dos anos, atravessando transformações no sistema Android, mudanças de estratégia e reposicionamentos de mercado.
Mas a popularidade nunca mais foi a mesma. Enquanto rivais asiáticos expandiram agressivamente seus catálogos com preços competitivos e inovação acelerada, a Sony adotou uma postura mais conservadora. Seus aparelhos mantiveram características de nicho — como entrada para fones de ouvido e foco em áudio de alta fidelidade — mas deixaram de surpreender o grande público.
O resultado foi uma presença cada vez mais discreta nas prateleiras e nas conversas sobre os melhores smartphones do mercado.
Um presente complicado e decisões controversas
O ano de 2025 foi especialmente difícil para a linha Xperia. Lançamentos pouco ousados e preços considerados elevados afastaram consumidores. O Sony Xperia 1 VII, por exemplo, manteve elementos clássicos da identidade da marca, como a inspiração na divisão Walkman e o tradicional conector de fones de ouvido.
No entanto, o conjunto não convenceu o mercado. Com preço inicial de 1.499 euros, o modelo enfrentou críticas quanto ao custo-benefício. Para agravar o cenário, houve relatos de problemas com algumas unidades e interrupção de vendas em determinados países.
As vendas ficaram abaixo do esperado, reforçando a percepção de que a Sony havia perdido relevância no segmento móvel. Em um mercado dominado por gigantes que investem pesado em marketing e inovação anual, manter um catálogo sem grande apelo tornou-se um risco constante.
Diante desse contexto, muitos analistas passaram a especular sobre uma possível saída definitiva da empresa do setor de smartphones. Afinal, manter uma divisão com desempenho modesto pode não parecer estratégico.
Mas a Sony não parece disposta a abandonar o jogo.
A aposta para 2026 e o desafio da sobrevivência
Para 2026, já circulam informações sobre dois novos modelos: o Sony Xperia 1 VIII, voltado para o segmento premium, e o Sony Xperia 10 VIII, destinado a uma faixa mais acessível. A expectativa é de que ambos mantenham a linha estética e filosófica da marca, sem mudanças radicais.
Até o momento, especificações técnicas não foram divulgadas oficialmente. No entanto, registros na base de dados IMEI indicam que os aparelhos devem ser lançados não apenas no mercado asiático, mas também na Europa.
A grande questão permanece: haverá espaço para mais uma tentativa? O mercado atual é extremamente competitivo, com fabricantes oferecendo câmeras avançadas, inteligência artificial embarcada e preços agressivos.
A Sony, por sua vez, aposta na consistência e na fidelidade a uma identidade própria. Mesmo sem o protagonismo de outrora, a empresa acredita que ainda tem algo a dizer no universo dos smartphones.
Resta saber se o público concorda. Em um cenário onde marcas sobem e caem com rapidez, insistir pode ser um ato de coragem — ou de resistência estratégica. 2026 pode não representar uma revolução para a linha Xperia, mas certamente será um teste decisivo para saber se a Sony ainda consegue reconquistar relevância em um mercado que já não a coloca no centro das atenções.
[Fonte: Xataka]