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Rio de Janeiro sedia a cúpula dos BRICS: Lula reforça compromisso com o multilateralismo

Com novos membros e desafios geopolíticos crescentes, o bloco busca alternativas ao dólar e financiamento para a crise climática. A cúpula no Brasil será um marco estratégico em um cenário global cada vez mais complexo.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O Brasil no centro das discussões globais

Rio de Janeiro será palco, nos dias 6 e 7 de julho, da cúpula dos BRICS, o bloco econômico formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, ao qual se juntaram recentemente Irã, Egito, Etiópia, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e, desde janeiro de 2025, Indonésia. O evento simboliza a renovada aposta do presidente Lula no multilateralismo e no fortalecimento das relações internacionais.

O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, anunciou que a reunião contará com a presença dos líderes dos 20 países membros plenos e associados. A modalidade de países associados, criada em 2024 durante a cúpula de Kazan, permite que observadores participem das discussões e recebam apoio do bloco. Atualmente, os associados são Bielorrússia, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Tailândia, Uganda, Uzbequistão e Nigéria, enquanto a Argélia integra o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) dos BRICS.

O evento marca a presidência rotativa do Brasil no bloco, posição assumida por Lula em 1º de janeiro. O presidente tem defendido o fortalecimento do livre comércio e do multilateralismo como pilares do desenvolvimento econômico e da estabilidade global.

Desafios e divergências dentro do bloco

A presidência de Dilma Rousseff no Novo Banco de Desenvolvimento tem gerado controvérsias. À frente da instituição desde março de 2023, Rousseff foi alvo de críticas por atrasos no cumprimento de metas e denúncias de ambiente tóxico no trabalho. Segundo um relatório da Folha de São Paulo, o banco teria atingido apenas 20% dos seus objetivos de financiamento para o período 2022-2026, além de não ter publicado os orçamentos anuais de 2023 e 2024.

A gestão do banco também enfrenta desafios políticos e econômicos. A presença da Rússia, em guerra com a Ucrânia, afeta sua competitividade e credibilidade, além de aumentar as pressões externas. Apesar disso, o NDB anunciou um empréstimo de 3,8 bilhões de reais para os Correios do Brasil, que enfrentam um grave déficit financeiro.

Alternativas ao dólar e tensões geopolíticas

Um dos principais pontos da cúpula será a discussão sobre alternativas ao dólar nas transações comerciais entre os países do bloco. Em reunião preparatória realizada em Brasília, ficou evidente o desejo de avançar na criação de um sistema de pagamentos em moedas locais. No entanto, o Brasil evita atritos com os Estados Unidos, especialmente diante das ameaças de Donald Trump de impor tarifas de 100% aos países que adotarem tais alternativas.

A participação da Rússia no evento também gera controvérsias. Lula já manifestou interesse em convidar Vladimir Putin, apesar da ordem de prisão contra o presidente russo emitida pelo Tribunal Penal Internacional. A incerteza sobre as negociações de paz entre Rússia e Ucrânia pode criar um cenário que favoreça a presença de Putin no Brasil.

Mudanças climáticas e a influência dos BRICS na COP30

Outro tema central da cúpula será a preparação para a COP30, que ocorrerá em novembro em Belém, na Amazônia. Os BRICS querem apresentar uma posição unificada sobre o financiamento para o combate às mudanças climáticas, estimado em 1,3 trilhão de dólares. O negociador brasileiro Maurício Lyrio destacou a importância de alinhar os processos do G20, BRICS e COP30 para garantir maior efetividade nas ações ambientais.

A influência crescente da China e do Irã no Brasil

A expansão da presença chinesa e iraniana no Brasil desperta preocupações. Empresas chinesas investiram quase 800 milhões de dólares no setor de minerais estratégicos nos últimos seis meses, adquirindo minas de estanho, nióbio e níquel. Além disso, o Irã lançou uma versão em português da Hispan TV, seu canal de propaganda estatal, aumentando sua influência no país.

As contradições dentro dos BRICS, que reúne tanto democracias quanto regimes autoritários, são um ponto de debate no Brasil. A influência de potências como China e Irã, que adotam estratégias expansionistas, levanta questões sobre os benefícios e riscos da participação brasileira no bloco.

O futuro dos BRICS e o papel do Brasil

Com ou sem a presença de Putin, a cúpula dos BRICS no Rio de Janeiro será um evento decisivo para o futuro do bloco. O Brasil busca equilibrar sua posição entre o multilateralismo e os desafios impostos pelas tensões geopolíticas. O sucesso da cúpula dependerá da capacidade de Lula de conciliar interesses divergentes e fortalecer o papel do Brasil no cenário global.

 

Fonte: Infobae

 

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