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Rodízio em xeque: explosão de híbridos pode travar o trânsito em SP

São Paulo está a poucos passos de ver o rodízio virar peça decorativa. O crescimento acelerado de carros híbridos e elétricos — todos isentos da regra — já coloca mais de 200 mil veículos nas ruas sem qualquer restrição. O alerta, feito pela jornalista Paula Gama em vídeo no canal do UOL, reacende uma discussão urgente: o rodízio ainda funciona? E o que acontece quando ele deixa de funcionar?
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Tempo de leitura: 3 minutos

A frota que cresce sem parar — e burla o rodízio legalmente

O avanço dos carros eletrificados é tão rápido que a cidade já ultrapassou a marca de 200 mil veículos híbridos livres do rodízio. E o número deve disparar.

A razão é simples: praticamente todo novo lançamento no Brasil chega com uma versão híbrida. Além disso, regras ambientais mais rígidas — como o Proconve L8, previsto para 2027 — vão empurrar as montadoras para ainda mais modelos eletrificados.

E aí surge o efeito colateral: muita gente não compra um híbrido pela economia de combustível, mas pela vantagem de circular todos os dias. Resultado? Mais carros rodando nos horários de pico justamente quando a cidade mais tenta contê-los.

A desigualdade que o rodízio reforça — e não resolve

Rodízio em xeque: explosão de híbridos pode travar o trânsito em SP
© Pexels

A expansão dos híbridos expõe um problema antigo: nem todos conseguem driblar o rodízio.

Como lembra Paula Gama, quem tem mais renda compra o híbrido isento ou mantém dois carros com placas distintas. Já quem depende do único veículo fica preso a uma regra que, na prática, afeta sobretudo moradores de baixa renda.

A jornalista reforça que o rodízio só virou política de trânsito em 2018. Antes, seu propósito era ambiental — reduzir emissões. Hoje, porém, ele não garante nem ar mais limpo, nem trânsito mais fluido. Com milhares de isentos circulando diariamente, a regra perde eficácia nos dois objetivos.

O problema dos híbridos leves — e o desvio da proposta ambiental

A polêmica cresce quando entram em cena os “híbridos leves”, modelos que não usam o motor elétrico para mover o carro.

Eles funcionam apenas como assistentes do motor a combustão, reduzindo emissões de forma mínima — mas continuam isentos do rodízio.

Para Paula Gama, isso distorce totalmente a proposta original: carros que quase não poluem menos recebem o mesmo benefício dos eletrificados completos. O resultado é um trânsito mais pesado sem ganho ambiental real.

Alternativas existem — coragem política, nem tanto

O debate sobre o que fazer aparece sempre, mas nunca avança. Pedágio urbano, revisão das regras, limite parcial de isenção: tudo já foi discutido. Nada saiu do papel.

O motivo? Custo político.

Qualquer mudança mexe diretamente com milhões de motoristas. E nenhum governo municipal quer assumir o desgaste.

A população, por outro lado, convive com o rodízio há tanto tempo que muitos acreditam que seu fim seria automaticamente positivo — até perceberem que o trânsito pode piorar muito com ainda mais carros em circulação.

São Paulo já está no limite — e pode piorar

A capital possui a maior frota do país. E a tendência atual, puxada pelo mercado automotivo, é de crescimento contínuo.

Mais híbridos, mais isentos, menos eficácia — e, possivelmente, mais congestionamentos.

A discussão sobre o futuro do rodízio não é técnica: é urgente. Ou São Paulo se antecipa e redesenha suas regras, ou a cidade caminha para ver seu já caótico trânsito explodir nos próximos anos.

Resta saber se haverá, enfim, vontade política para encarar um problema que todo paulistano sente no dia a dia — e que só tende a se agravar.

[Fonte: Click Petroleo e Gas]

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