Por que São Paulo entrou no radar da Unesco
A Unesco escolheu São Paulo como cidade criativa do cinema após analisar um conjunto de ações voltadas ao audiovisual. Um dos pilares da candidatura é a SPCine, empresa pública responsável por financiar, implementar e desenvolver políticas para o setor na capital.
Na prática, isso significa investimento em produtoras, festivais, editais, formação de público e ocupação de salas de cinema espalhadas pela cidade. Não é só sobre filmar em São Paulo, mas sobre criar um ecossistema completo de cinema, da ideia ao telão.
Segundo a prefeitura, a candidatura mostrou como o audiovisual está integrado ao dia a dia da cidade – e foi exatamente isso que convenceu a Unesco.
Sessões azuis, cinema pet friendly e público real

Um dos pontos que mais chamaram atenção foi a forma como São Paulo adapta o cinema para diferentes públicos. Emiliano Zapata, diretor de Inovações da SPCine, destaca sessões especiais:
- Sessões azuis, voltadas a pessoas autistas
- Programações para idosos
- Sessões pensadas para mães com bebês
- Eventos pet friendly, em que até o cachorro entra na experiência
Segundo ele, a inovação que garantiu o selo de cidade criativa do cinema “não está apenas na tecnologia, mas na forma como São Paulo se relaciona com seus territórios e públicos”. Em outras palavras: não é só fazer filme, é ouvir, acolher e transformar.
Se você acha que título da Unesco é só formalidade, alerta: ele reforça essa ideia de audiovisual vivo, espalhado pelos bairros, e não restrito a salas de shopping.
Outras cidades criativas e o lugar do Brasil no mapa
São Paulo não está sozinha na lista. Outras 57 cidades entraram recentemente na Rede de Cidades Criativas da Unesco, em diferentes categorias. Alguns exemplos:
- Quito (Equador) – arquitetura
- Zaragoza (Espanha) – gastronomia
- Kiev (Ucrânia) – música
- Lusail (Catar) – arquitetura
- Nova Orleans (EUA) – música
- Matosinhos (Portugal) – gastronomia
- Tânger (Marrocos) – literatura
No Brasil, já tinham esse reconhecimento Santos (SP) e Penedo (AL), também como cidade criativa do cinema. Agora, com São Paulo nesse grupo, o país reforça sua presença na rede. Ao todo, o Brasil já conta com 14 cidades criativas da Unesco, em áreas como gastronomia, literatura, design e música.
A rede, criada em 2004, reúne mais de 300 cidades em cerca de 100 países. A ideia é destacar lugares que usam cultura e criatividade como estratégia de desenvolvimento econômico, social, cultural e ambiental.
O que significa ser cidade criativa do cinema na prática
Ser cidade criativa do cinema pela Unesco não é prêmio estático – é compromisso. Significa manter políticas públicas, incentivar produções locais, atrair coproduções internacionais e fortalecer a economia criativa.
Para São Paulo, isso pode representar:
- Mais visibilidade para produções brasileiras
- Atração de filmagens estrangeiras
- Fortalecimento de festivais, cineclubes e circuitos alternativos
- Geração de empregos em toda a cadeia do cinema
Veja como o selo de cidade criativa do cinema também vira argumento político e econômico: ele ajuda a negociar parcerias, captar recursos e mostrar que o audiovisual é parte central do desenvolvimento urbano – e não só entretenimento.
O reconhecimento de São Paulo como cidade criativa do cinema pela Unesco é um recado claro: o audiovisual brasileiro não é coadjuvante, é protagonista. Agora, a questão é acompanhar se esse título vai se traduzir em mais salas ativas, mais acesso, mais diversidade de histórias e mais oportunidades para quem cria. E você – acha que esse selo muda algo no seu jeito de ver e viver cinema na cidade?
[Fonte: CNN Brasil]