Pular para o conteúdo
Ciência

Skincare com sangue menstrual viraliza, mas médicos fazem alerta

Uma nova tendência de beleza voltou a circular nas redes sociais prometendo brilho, rejuvenescimento e até “conexão com o corpo”. O nome pode soar estranho — e para muita gente, chocante —, mas o period face mask, ou máscara facial com sangue menstrual, voltou a ganhar força no TikTok e no Instagram. O problema é que, segundo especialistas, o risco dermatológico é real.
Por

Tempo de leitura: 2 minutos

A prática transforma um fluido historicamente cercado de tabu em ingrediente de skincare. Para algumas pessoas, o ritual vai além da estética e funciona como um ato simbólico de empoderamento e reconciliação com a menstruação. Só que a ciência não acompanha o hype.

Por que o sangue menstrual entrou na moda do skincare

Skincare com sangue menstrual viraliza, mas médicos fazem alerta
© Pexels

A ideia do period face mask se apoia em dois pilares: simbolismo e ciência “meia explicada”. Nas redes, criadores defendem que aplicar sangue menstrual no rosto ajuda na regeneração da pele, melhora o viço e fortalece a autoestima.

Parte do argumento vem de um estudo de 2016 que identificou células-tronco no sangue menstrual, além de minerais como zinco, magnésio e cobre — comuns em produtos de skincare. O detalhe que costuma ficar de fora dos vídeos virais é o contexto do estudo: laboratório, ambiente controlado e isolamento celular rigoroso.

Onde começa o risco dermatológico

Fora do laboratório, a realidade muda completamente. O sangue menstrual coletado em casa não é estéril. Ele carrega secreções vaginais, fragmentos do endométrio e microrganismos naturais do trato genital.

Aplicar esse material diretamente na pele pode favorecer infecções bacterianas, fúngicas ou virais. O risco aumenta ainda mais se houver espinhas ativas, cortes ou pequenas lesões no rosto.

Dermatologistas alertam que o skincare com sangue menstrual não tem respaldo científico para uso doméstico. A promessa de regeneração não compensa o potencial de inflamação, acne, dermatite e infecção.

Não confunda com tratamentos médicos famosos

Muita gente tenta comparar o period face mask com o PRP, o Plasma Rico em Plaquetas — tratamento estético usado em consultórios e popularizado por celebridades, como Kim Kardashian no chamado vampire facial.

Mas a comparação não se sustenta. O PRP utiliza sangue venoso do próprio paciente, coletado com material estéril, processado em centrífuga e aplicado por profissionais de saúde. Já o sangue menstrual é uma mistura de sangue, muco e células descartadas pelo corpo. São coisas totalmente diferentes.

O que diz a ciência até agora

Pesquisas com células-tronco derivadas do sangue menstrual existem, sim. Mas elas fazem parte de estudos experimentais, em ambientes controlados, voltados para medicina regenerativa — não para receitas caseiras de skincare.

Especialistas reforçam o alerta: não há evidência de benefício e há risco real de dano à pele.

Tendência, mas não tratamento

Mesmo com todo o simbolismo e apelo nas redes, o recado médico é direto: não faça. Tendências de beleza passam rápido, mas manchas, infecções e cicatrizes podem durar bem mais.

Antes de testar qualquer moda que promete milagres, vale lembrar: quando o assunto é pele, improviso não é autocuidado.

[Fonte: Correio Braziliense]

Partilhe este artigo

Artigos relacionados