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Ciência

Sonda espacial captura imagens espetacularmente detalhadas da superfície oculta de Mercúrio

A missão BepiColombo completou com sucesso seu sexto sobrevoo pelo planeta mais próximo do Sol, aproximando-se de seu objetivo final: entrar em órbita em torno de Mercúrio.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A sonda BepiColombo, uma colaboração entre a Agência Espacial Europeia (ESA) e a Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (JAXA), transmitiu imagens impressionantes do planeta mais interno do sistema solar. Durante seu sobrevoo, a sonda atravessou a sombra de Mercúrio para observar diretamente crateras que permanecem ocultas em escuridão permanente.

A BepiColombo, composta por duas espaçonaves acopladas, realizou seu sexto e último sobrevoo sobre Mercúrio nesta quarta-feira, aproveitando a força gravitacional do planeta para ajustar sua trajetória com destino à inserção orbital, prevista para 2026. A missão foi lançada em outubro de 2018 como um projeto conjunto da ESA e da JAXA, cada uma fornecendo um orbitador para estudar Mercúrio. De acordo com a ESA, durante o sobrevoo, as espaçonaves passaram a cerca de 180 milhas (295 quilômetros) da superfície do planeta.

A essa curta distância, a BepiColombo registrou imagens da superfície craterada de Mercúrio. As primeiras capturas mostram o lado noturno do planeta, sempre escuro e gelado próximo ao polo norte, antes de alcançar as regiões iluminadas pelo Sol no hemisfério norte.

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© ESA

Utilizando suas câmeras de monitoramento (M-CAM 1), a BepiColombo obteve sua primeira visão aproximada da linha divisória entre o lado diurno e o lado noturno de Mercúrio. Na imagem, é possível observar as bordas das crateras Prokofiev, Kandinsky, Tolkien e Gordimer, marcadas por sombras permanentes que podem abrigar depósitos de água congelada, mesmo com o planeta tão próximo ao Sol.

Um dos principais objetivos da missão é investigar se Mercúrio realmente armazena água em suas sombras — um mistério que intriga cientistas há décadas.

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© ESA

A gigantesca Bacia Caloris, a maior cratera de impacto de Mercúrio, com mais de 930 milhas (1.500 quilômetros) de diâmetro, é visível no canto inferior esquerdo da imagem.

Apesar de Mercúrio ser um planeta escuro, as áreas mais jovens — ou cicatrizes geológicas recentes — aparecem mais brilhantes em sua superfície. Os cientistas ainda não sabem exatamente do que é feita a superfície de Mercúrio, mas o material exposto do subsolo tende a escurecer com o tempo.

Outro destaque da missão é a observação de regiões brilhantes associadas à atividade vulcânica e grandes impactos.

“A mancha brilhante próxima à borda superior do planeta nesta imagem é a Nathair Facula, resultado da maior explosão vulcânica registrada em Mercúrio. No centro, encontra-se uma abertura vulcânica com cerca de 40 km (25 milhas) de diâmetro, local de pelo menos três grandes erupções,” explicou a ESA.

A BepiColombo é apenas a terceira sonda a visitar Mercúrio. O planeta é notoriamente difícil de alcançar devido à forte atração gravitacional do Sol.

A missão conta com duas sondas: o Mercury Planetary Orbiter (MPO) da ESA, focado em estudar a superfície e a composição de Mercúrio, e o Mercury Magnetospheric Orbiter (MMO) da JAXA, dedicado a investigar o campo magnético do planeta. Ambas foram lançadas juntas em uma única espaçonave e entrarão em suas respectivas órbitas em 2026.

A BepiColombo realizou seu primeiro sobrevoo em outubro de 2021 e, desde então, tem enviado imagens fascinantes e coletado dados valiosos sobre esse planeta misterioso.

“A principal fase da missão da BepiColombo só começará daqui a dois anos, mas todos os seis sobrevoos de Mercúrio já nos proporcionaram informações inestimáveis sobre esse planeta tão pouco explorado. Nas próximas semanas, a equipe da missão trabalhará arduamente para desvendar o máximo de mistérios de Mercúrio com os dados obtidos neste último sobrevoo,” declarou Geraint Jones, cientista do projeto BepiColombo na ESA, em comunicado.

Com sua abordagem inovadora e observações pioneiras, a missão BepiColombo promete revelar novos segredos do menor e mais enigmático planeta do sistema solar.

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