A missão mais ousada até agora
Neste Natal, o sol receberá uma visita especial: a sonda Parker da NASA. Lançada em 2018 com o objetivo de “tocar o sol”, a sonda se aproxima cada vez mais da estrela em suas órbitas. No dia 24 de dezembro, ela atingirá a menor distância já alcançada por qualquer objeto fabricado pelo homem: 6,1 milhões de quilômetros da superfície solar.
Durante essa aproximação histórica, a Parker enfrentará temperaturas de até 982,2°C, coletando dados cruciais sobre o vento solar, suas origens e sua interação com o espaço ao redor.
Um feito construído ao longo dos anos
Desde 2021, a Parker vem quebrando barreiras. Foi a primeira sonda a atravessar a coroa solar, a camada superior da atmosfera da estrela, e a suportar uma ejeção de massa coronal (CME), explosões de radiação de alta energia. Em setembro de 2022, repetiu a façanha, registrando dados que ajudam a entender como o plasma do sol interage com o pó interplanetário.
Até setembro de 2023, a sonda completou 21 aproximações ao sol, chegando a 7,26 milhões de quilômetros da superfície. Em novembro, utilizou a gravidade de Vênus em seu último sobrevoo para ajustar sua órbita e alcançar uma trajetória ainda mais próxima do sol.
Velocidade e resistência sem precedentes
A Parker já é o objeto mais veloz criado pela humanidade, mas nesta aproximação alcançará a impressionante velocidade de 692.000 km/h, essencial para vencer a força gravitacional do sol. Em termos práticos, poderia cruzar a distância entre Washington, D.C., e Filadélfia em apenas um segundo.
A nave também é equipada para suportar condições extremas. Seu escudo térmico, com 2,4 metros de diâmetro e 115 mm de espessura, mantém a temperatura interna em cerca de 29,4°C, apesar de o exterior atingir quase 1.000°C. Feito de espuma de carbono entre duas placas de carbono e revestido com pintura cerâmica branca, o escudo reflete a maior parte do calor solar.
O que a missão pode revelar?
Enquanto atravessa o calor intenso, a Parker registrará o fluxo de energia na superfície solar, estudará o calor extremo da coroa e investigará o que acelera o vento solar. Entre os principais mistérios que os cientistas esperam desvendar estão:
- Por que a coroa solar é cerca de 200 vezes mais quente que a superfície do sol?
- O que impulsiona o vento solar?
- Qual é a origem das partículas solares de alta energia?
Além disso, os dados podem melhorar as previsões do clima espacial, que afeta a Terra com belas auroras, mas também pode causar danos à infraestrutura elétrica e a sistemas de comunicação.
A missão Parker promete redefinir nosso conhecimento sobre o sol e seu impacto em nosso planeta, deixando um legado histórico para a ciência.