Pular para o conteúdo
Tecnologia

Sony já está tirando as lições erradas do boom de vendas do PlayStation 5

A Sony vendeu mais PS5s do que nunca, graças a Helldivers 2 e Astro Bot. O problema é que não parece que os executivos estão aprendendo as lições certas.
Por

Tempo de leitura: 3 minutos

O ano passado foi estranho para o mercado de games. Houve uma escassez significativa de grandes lançamentos, mas a marca PlayStation conseguiu se destacar com alguns sucessos inesperados, como Astro Bot e Helldivers 2. O mais surpreendente é que a Sony declarou que as vendas dos consoles foram muito boas em 2024. Resta torcer para que a empresa tire as lições certas dessa experiência. No entanto, com base nas declarações recentes dos executivos, parece que estão absorvendo apenas parte do que deveriam ter aprendido.

Na última quinta-feira, a Sony divulgou seu relatório financeiro do terceiro trimestre, cobrindo as vendas até 31 de dezembro de 2025. Nesse período, a gigante japonesa vendeu 9,5 milhões de unidades do PlayStation 5, totalizando 74,5 milhões de consoles vendidos desde o lançamento, em 2020. Foi o melhor trimestre da história do PS5 em termos de vendas. O relatório não especifica a porcentagem referente ao novo PlayStation 5 Pro, mas, segundo analistas da indústria, o console premium de US$ 700 tem apresentado um desempenho positivo, apesar do preço elevado. Como destacou o Eurogamer, as vendas do PS5 ficaram ligeiramente abaixo do que o PS4 vendeu no mesmo intervalo de tempo.

A “máquina de fazer dinheiro” segue firme. A Sony reportou um aumento de 16% nas vendas de jogos e consoles em comparação ao ano anterior. Além disso, afirmou que mais de 40% dos compradores de PS5 no último trimestre eram novos no ecossistema PlayStation. O número de jogadores e o tempo total de jogo também aumentaram. Parte desse sucesso pode ser atribuída aos títulos lançados. A empresa citou especificamente Astro Bot e Helldivers 2, destacando o desejo de investir mais em jogos voltados para famílias e em experiências live service.

Mas o sucesso de Astro Bot não se deve apenas ao fato de ser um “jogo para a família”. O título foi tão bom que até Reggie Fils-Aimé, ex-presidente da Nintendo of America, chegou a dizer, durante o New York Game Awards, que o game “quase superou a Nintendo em seu próprio jogo”. Já Helldivers 2 se destacou como uma agradável surpresa: um live service que não ficou obcecado em cobrar por cada pequeno item e conseguiu conquistar o público com uma jogabilidade divertida e uma narrativa satírica refrescante.

O problema é que os executivos de grandes empresas de jogos geralmente pensam apenas no lucro. Se a linha de faturamento sobe, eles nem sempre se preocupam em entender o motivo real do sucesso. Não há nada de errado em lançar mais jogos familiares no PS5, mas Astro Bot deixou claro que jogos bem-feitos ainda vendem. Se a Sony está considerando expandir os jogos live service, é bom que aprenda com o fiasco que foi o hero shooter Concord. O público não quer apenas outro jogo de tiro cooperativo genérico — quer um jogo bom de verdade.

Outro ponto crítico é a carência de jogos first-party de médio porte, com custos de desenvolvimento menores, mas que costumam atrair o público exatamente por não dependerem de gráficos ultrarrealistas. Felizmente, a Sony parece ter entendido o valor de Astro Bot: na última quinta-feira, o PlayStation anunciou que o jogo receberá novos níveis. A essa altura, uma sequência já parece praticamente garantida.

Enquanto isso, o primeiro State of Play de 2025 foi uma decepção. O evento, transmitido na última quarta-feira, foi morno e sem grandes surpresas. Muitos esperavam trailers de títulos aguardados, como Ghost of Yōtei, Death Stranding 2: On the Beach ou qualquer novidade sobre o jogo do Wolverine desenvolvido pela Insomniac. Em vez disso, o destaque ficou para o trailer vazado de Metal Gear Solid Delta: Snake Eater, com lançamento marcado para 28 de agosto, e a confirmação de que Borderlands 4 chega em 23 de setembro.

A cena indie, pelo menos, mostrou algum potencial. O evento apresentou trailers intrigantes de Hell is Us e Saros — este último, desenvolvido pela Housemarque, responsável por Returnal. No entanto, esses títulos provavelmente não chegam em 2025, assim como o aguardado Onimusha: Way of the Sword, que ficou para o próximo ano. Quanto ao recém-anunciado Sonic Racer CrossWorlds, fica a dúvida se terá fôlego para competir com o provável novo Mario Kart no Switch 2.

Apesar das incertezas, há bons jogos no horizonte do PS5. Ainda assim, o verdadeiro teste virá quando Grand Theft Auto VI finalmente chegar — e, quando isso acontecer, todos esses lançamentos provavelmente serão ofuscados pelo impacto colossal da nova criação da Rockstar.

Que a Sony aproveite o momento para aprender as lições certas. O mercado não precisa de mais jogos genéricos live service. O que os jogadores querem — e Astro Bot provou isso — são jogos de qualidade, inovadores e divertidos.

 

Partilhe este artigo

Artigos relacionados