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Tecnologia

Todo Gamer Deve Explorar Este Arquivo de Revistas de Videogame

A Video Game History Foundation lançou um novo repositório que inclui revistas, publicações comerciais, documentos de trabalho e entrevistas exclusivas sobre os melhores jogos já lançados e aqueles que nunca chegaram ao público.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O Arquivo VGHF: Um Tesouro de História dos Videogames

A cada ano, parte da história dos videogames se perde. Enchentes destroem coleções, documentos se deterioram e grandes nomes da indústria nos deixam. Para combater isso, a Video Game History Foundation (VGHF) criou o maior e mais pesquisável acervo de documentação sobre videogames já visto. Para os apaixonados pelo meio, explorar este arquivo é uma maneira única de reviver o impacto da mídia física em gerações de jogadores.

Revistas foram uma parte essencial da experiência dos videogames para muitos. No passado, elas serviam como uma conexão tangível com a comunidade gamer. Com o declínio da mídia impressa e o encerramento de publicações como Game Informer, perderam-se não apenas as revistas, mas também a sensação de proximidade com o universo dos jogos.

Uma Biblioteca Digital Acessível a Todos

A VGHF, uma organização sem fins lucrativos dedicada à preservação dos videogames, revelou recentemente sua biblioteca digital. O acervo inclui não apenas revistas, mas também documentos comerciais, catálogos e materiais inéditos dos bastidores da indústria. Entre os destaques estão materiais promocionais originais de Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots e Bloodborne, além de vídeos de produção e entrevistas da Cyan, criadora do clássico Myst. Também há registros detalhados da E3 de 1995 a 2006, permitindo um mergulho nostálgico em uma das maiores feiras de jogos da história.

Em entrevista ao Gizmodo, Phil Salvador, diretor da biblioteca VGHF, destacou que a acessibilidade foi uma prioridade na criação do acervo. Ao contrário de arquivos de revistas digitalizadas espalhados pela internet ou coleções físicas de difícil acesso, o VGHF foi projetado para facilitar a pesquisa, permitindo buscas por palavras-chave, títulos e períodos específicos.

Histórias Curiosas e a Evolução do Marketing nos Games

Explorar o acervo revela mudanças significativas na forma como os videogames eram promovidos. Um exemplo é a campanha publicitária do jogo Ico para PS2 antes de seu lançamento no Ocidente, que trazia um labirinto surreal e o slogan: “Resolva os enigmas ou junte-se às almas atormentadas para sempre”. O marketing confuso pode ter sido um dos fatores que levaram às baixas vendas do jogo nos EUA.

Outro caso interessante envolve Earthbound (1994), cuja estratégia promocional da Nintendo incluiu tentativas de vendê-lo sob uma perspectiva financeira, abordagem incomum para um RPG. Esses documentos ainda não estão disponíveis no acervo, mas a VGHF está trabalhando para disponibilizá-los em breve.

O arquivo começou como a coleção pessoal de Frank Cifaldi, fundador da VGHF, e ao longo dos anos, o grupo investiu em scanners e desmembradores de qualidade para digitalizar milhares de documentos. Desde 2017, voluntários e colecionadores doaram materiais para expandir a biblioteca, incluindo contribuições de Retromags e Out-of-Print Archive.

Descobrindo Jogos Perdidos e Histórias Não Contadas

Além de preservar materiais conhecidos, a VGHF recebe doações de arquivos inéditos. Um exemplo é a coleção Mark Flitman, que contém documentos de um ex-executivo da Konami, Acclaim e Midway. Entre os achados está o design original de um jogo para Nintendo 64 chamado Monster Dunk, que nunca foi lançado. O jogo contaria com personagens como “O Corcunda de Notre Dunk” e “O Fantasma de Abrajam Lincoln (TM)”. Infelizmente, o projeto foi cancelado por falta de equipe antes mesmo de atingir a fase de protótipo.

O acervo permite que qualquer pessoa explore o lado menos conhecido da indústria dos jogos. A criação de um título envolve financiamento, tecnologia, mão de obra e fatores de mercado. Para cada sucesso como Myst, existem dezenas de jogos cancelados que nunca viram a luz do dia.

O Desafio da Preservação Digital

Muita história dos videogames se perde simplesmente porque não há espaço para armazenamento adequado. Segundo Salvador, há mais registros de desenvolvedoras em Chicago do que na Califórnia, pois as casas no meio-oeste americano possuem porões, enquanto as da costa oeste não.

Mesmo arquivos digitais correm risco de desaparecer. A VGHF já mostrou que cerca de 90% dos jogos de décadas passadas não estão comercialmente disponíveis. Além disso, a decisão do Escritório de Direitos Autorais dos EUA restringiu o acesso de historiadores a títulos fora de circulação, dificultando sua preservação.

Atualmente, o arquivo VGHF não pode disponibilizar jogos, mas continua adicionando novos materiais. Salvador espera que mais desenvolvedoras reconheçam o valor de preservar sua história. “Nosso trabalho envolve dialogar com desenvolvedores e mostrar que esses registros são valiosos. Queremos preservá-los e respeitá-los”, concluiu.

 

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