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Ciência

Um crânio encontrado na Grécia há 300 mil anos não era de um humano nem de um neandertal: agora sabemos a quem pertenceu e a resposta é fascinante

O fóssil, descoberto em 1960, acaba de ser reavaliado com técnicas modernas de datação por urânio. Os resultados revelam que não corresponde ao Homo sapiens nem aos neandertais, mas sim a um linaje distinto que habitou a Europa durante o Pleistoceno.
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Tempo de leitura: 2 minutos

A caverna de Petralona, no norte da Grécia, foi palco em 1960 de uma descoberta que desconcertou os arqueólogos: um crânio humanoide incrustado em rocha calcária. Durante décadas, especialistas debateram a que espécie poderia pertencer. Agora, uma nova análise traz uma resposta surpreendente que pode alterar a árvore genealógica dos nossos ancestrais europeus.

Um crânio encontrado na Grécia há 300 mil anos não era de um humano nem de um neandertal: agora sabemos a quem pertenceu e a resposta é fascinante
© YouTube / CGTN.

O crânio de Petralona ficou durante milênios coberto por camadas de calcita, o que dificultava um estudo aprofundado. A pesquisa recente, publicada no Journal of Human Evolution, aplicou a técnica das séries de urânio para datar o fóssil com mais precisão. Ao medir a proporção entre urânio e tório na calcita, os cientistas estimaram uma idade mínima de 300 mil anos, podendo ser ainda maior caso a acumulação tenha ocorrido mais lentamente.

O dado mais revelador, no entanto, não foi a idade, mas a espécie. O crânio não se encaixava nem nas características dos neandertais, nem nas do Homo sapiens. A análise o atribuiu ao Homo heidelbergensis, um hominídeo que viveu na África e na Europa entre 700 mil e 200 mil anos atrás.

Entre neandertais e humanos modernos

Um crânio encontrado na Grécia há 300 mil anos não era de um humano nem de um neandertal: agora sabemos a quem pertenceu e a resposta é fascinante
© YouTube / CGTN.

O chamado Homo heidelbergensis é considerado um parente distante que deu origem, em ramos separados, tanto aos neandertais na Europa quanto aos humanos modernos na África. Este exemplar grego, porém, levanta questões sobre como essas populações se distribuíram e conviveram. O fato de ter vivido no Pleistoceno, em um continente onde os neandertais já existiam, abre o debate sobre possíveis contatos e sobreposições entre espécies.

O paleoantropólogo Chris Stringer, do Museu de História Natural de Londres, destacou que a rapidez com que a calcita cobriu o crânio sugere que ele ficou protegido quase imediatamente após ser exposto. Isso garantiu uma preservação excepcional, transformando-o em uma verdadeira cápsula do tempo de centenas de milhares de anos atrás.

Um achado com ecos no presente

A reinterpretação do crânio de Petralona não apenas oferece uma janela para o passado, mas também desafia os limites do que acreditávamos saber sobre nossa história evolutiva. Se este fóssil pertence de fato a um Homo heidelbergensis, reforça-se a ideia de que a Europa foi um cenário muito mais complexo do que se imaginava, onde múltiplos linajes humanos coexistiram e se transformaram.

A história de nossas origens continua a ser escrita e, às vezes, como no caso desse crânio preso na pedra, basta revisitar velhas descobertas para revelar novos capítulos.

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