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Ciência

Um filtro manteve cerca de 95% do desempenho após três meses — e pode ser regenerado centenas de vezes

Um novo material promete quebrar o ciclo de descarte dos filtros tradicionais. Depois de capturar partículas por meses, ele pode recuperar grande parte do desempenho usando recursos comuns.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Filtros de ar têm um problema inevitável: quanto mais trabalham, mais partículas acumulam até chegar o momento da substituição. Isso significa manutenção constante e uma enorme quantidade de material descartado. Pesquisadores chineses estão testando uma alternativa que muda essa lógica. O novo filtro pode ser limpo, reutilizado centenas de vezes e recuperar sua capacidade de capturar partículas por meio de um processo tão simples que pode acontecer dentro de casa.

O segredo está em uma superfície que ganha carga quando recebe luz

A tecnologia foi desenvolvida por pesquisadores da Universidade de Jilin, na China, e utiliza como base uma membrana de polipropileno coberta por materiais sensíveis à luz e ao calor.

Quando essa superfície é iluminada, ocorre algo fundamental para seu funcionamento: o revestimento desenvolve uma carga elétrica capaz de atrair partículas suspensas no ar.

Esse campo eletrostático aumenta a capacidade de captura sem exigir que o filtro permaneça conectado a uma fonte externa de alta tensão.

Nos experimentos, os pesquisadores utilizaram partículas de cloreto de sódio e fuligem com aproximadamente 0,3 micrômetro, além de avaliar o comportamento do material sob diferentes níveis de umidade.

Mas a característica mais interessante aparece depois que a superfície começa a ficar carregada de sujeira.

Em um filtro convencional, esse seria o início do caminho para a substituição. No protótipo, o processo é diferente.

O material pode ser enxaguado com água, removendo boa parte das partículas acumuladas. Depois dessa limpeza, basta expô-lo novamente à luz para restabelecer suas propriedades eletrostáticas.

E não é necessária uma fonte especialmente intensa.

Segundo os experimentos, a luz solar disponível mesmo em dias nublados e lâmpadas LED comuns de ambientes internos foram suficientes para reativar o material.

É essa combinação que transforma o conceito em algo particularmente curioso: água para retirar a sujeira e luz para recuperar a capacidade de filtragem.

Depois de três meses, o filtro ainda conservava cerca de 95% do desempenho

A reutilização só seria realmente interessante se o processo pudesse ser repetido sem destruir rapidamente o material.

Os resultados de laboratório indicam que essa possibilidade existe.

Depois de um mês de funcionamento, o filtro conservava aproximadamente 99% de sua eficiência máxima. Após três meses, permanecia próximo de 95%.

Os pesquisadores também afirmam que o ciclo de filtragem, lavagem e regeneração pode ser realizado centenas de vezes.

Isso abre possibilidades que vão muito além de um único tipo de purificador.

Uma delas são as máscaras de proteção.

Nos testes, o material ativado pela luz alcançou níveis de filtragem comparáveis aos associados às categorias N95 e N99. Isso, entretanto, não significa que os cientistas já tenham desenvolvido uma máscara N95 reutilizável e certificada.

A classificação de um respirador depende do produto completo.

Além do material filtrante, precisam ser considerados fatores como vedação no rosto, resistência à passagem do ar, construção e desempenho sob protocolos específicos de certificação.

Portanto, os resultados demonstram o potencial da membrana, não a existência de uma nova N95 pronta para chegar às lojas.

O maior desafio agora é levar a ideia para fora do laboratório

A equipe já desenvolveu protótipos voltados para máscaras, telas e outros sistemas de filtragem, mas ainda existe uma distância importante entre um experimento bem-sucedido e a fabricação em escala comercial.

Os pesquisadores querem aprimorar principalmente o processo de autolimpeza e descobrir se o material pode ser produzido em grandes quantidades por um custo competitivo.

Se essas barreiras forem superadas, a tecnologia poderá aparecer em purificadores de ar, sistemas de ventilação e equipamentos de proteção reutilizáveis.

A vantagem potencial está justamente em mudar o ciclo de vida do filtro.

Em vez de fabricar, utilizar, saturar e descartar, seria possível filtrar, lavar e regenerar repetidamente.

Depois de limpo com água, o filtro pode recuperar suas propriedades eletrostáticas simplesmente recebendo luz — inclusive de uma lâmpada LED comum.

Uma solução aparentemente banal para um problema tecnológico importante: talvez alguns filtros do futuro não precisem ser substituídos quando perderem desempenho. Eles poderão apenas precisar de uma lavagem e um pouco de luz.

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