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Um gigante global deixa o cargo após revelações sobre relação com Jeffrey Epstein

Documentos recém-divulgados expõem trocas de mensagens ao longo de uma década entre um poderoso executivo do Golfo e Jeffrey Epstein — e o impacto foi imediato no comando de uma das maiores operadoras portuárias do mundo.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A divulgação de novos arquivos ligados a Jeffrey Epstein voltou a provocar abalos em círculos políticos e empresariais internacionais. Desta vez, o efeito foi direto no topo de uma gigante global da logística. A revelação de centenas de e-mails trocados ao longo de anos levou a uma renúncia imediata, suspensões de investimentos e questionamentos sobre conexões de alto nível que atravessam governos e grandes corporações.

Pressão crescente culmina em saída imediata

Um gigante global deixa o cargo após revelações sobre relação com Jeffrey Epstein
© https://x.com/DiosaKhalinda

O presidente e diretor-executivo da DP World, Sultan Ahmed bin Sulayem, deixou o comando da empresa com efeito imediato após a divulgação de documentos que mostram uma longa troca de e-mails com o financista condenado Jeffrey Epstein.

A companhia, sediada em Dubai e responsável por terminais portuários em seis continentes, anunciou a mudança na liderança em comunicado oficial, nomeando Essa Kazim como presidente do conselho e Yuvraj Narayan como novo CEO. A imagem de Sulayem foi removida do site institucional pouco depois do anúncio.

É importante destacar que o fato de aparecer nos arquivos não implica, por si só, prática de irregularidade. Ainda assim, a pressão sobre a empresa aumentou rapidamente. A agência britânica de financiamento ao desenvolvimento e o fundo de pensão canadense La Caisse suspenderam novos investimentos na companhia.

O caso também respingou em iniciativas ambientais ligadas ao Reino Unido. O projeto Earthshot, associado ao Príncipe de Gales e financiado pela empresa, foi alvo de questionamentos formais junto à comissão de caridade britânica após o nome de Sulayem surgir nos documentos.

Os arquivos indicam uma relação próxima e abrangente entre o executivo e Epstein, incluindo troca frequente de ideias de negócios, contatos internacionais e planos de viagem.

E-mails revelam proximidade e conexões de alto nível

Uma análise da BBC News Arabic aponta que as trocas de mensagens começaram ao menos em 2007 e se estenderam até 2017, dois anos antes da morte de Epstein — e mesmo após sua primeira condenação criminal, em 2008.

Em um e-mail de 2013, Epstein descreveu Sulayem como “um dos seus amigos mais confiáveis”. Ao longo dos anos, os dois discutiram projetos globais, incluindo propostas envolvendo Dubai e até a ideia de uma moeda digital islâmica.

As mensagens também indicam que Epstein atuou como intermediário informal entre Sulayem e figuras políticas de destaque. Entre os nomes citados estão o ex-primeiro-ministro israelense Ehud Barak, o estrategista político Steve Bannon e o empresário Elon Musk.

Há ainda referências a interações envolvendo o presidente dos Estados Unidos Donald Trump, incluindo questionamentos sobre um convite para sua posse e a possibilidade de cumprimentá-lo pessoalmente.

Outro ponto sensível envolve e-mails relacionados ao então secretário de negócios britânico, Peter Mandelson. Em uma mensagem de 2009, Epstein teria pedido que Mandelson “fosse gentil com Sultan”, em meio a negociações para que a empresa operasse o porto London Gateway. Não há indicação de irregularidade por parte do político, mas os documentos sugerem atuação de Epstein como facilitador de contatos.

Mensagens controversas e críticas ao conteúdo

Parte dos e-mails divulgados inclui conversas sobre mulheres e comentários considerados sexistas. Em uma troca de 2013, uma mensagem atribuída a Sulayem comenta de forma depreciativa sobre a aparência de uma mulher moldava, elogiando outra de origem ucraniana. Em outro episódio, há referência ao treinamento de uma massagista privada de Epstein em um hotel turco.

Os documentos também mencionam trocas de piadas consideradas ofensivas e referências a relacionamentos pessoais. O contexto completo de algumas mensagens não é claro.

Além disso, um trecho destacado por parlamentares americanos faz referência a um e-mail de 2009 que mencionaria um “vídeo de tortura”. Autoridades dos EUA identificaram Sulayem como destinatário da mensagem, mas o conteúdo e o contexto permanecem desconhecidos.

O impacto corporativo foi imediato, refletindo a sensibilidade do tema em um momento de maior escrutínio sobre conexões com Epstein. A DP World desempenha papel estratégico no comércio internacional, operando infraestrutura crítica em diversas regiões do planeta.

A renúncia do executivo encerra um ciclo de quase duas décadas à frente da companhia, mas abre um novo capítulo de questionamentos sobre redes de influência globais e a persistente sombra deixada pelo escândalo Epstein.

[Fonte: BBC]

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