O futuro da Estação Espacial Internacional (ISS) foi colocado em dúvida repentinamente por um tuíte. Elon Musk, dono da SpaceX e conselheiro do presidente dos Estados Unidos, quer desativar a estação mais cedo do que o previsto.
Na quinta-feira, Musk publicou em sua plataforma X que acredita que “é hora de começar a nos preparar para desorbitar a ISS. Ela já cumpriu seu propósito. Sua utilidade incremental é muito pequena. Vamos para Marte”. Quando questionado sobre mais detalhes, ele afirmou que espera que o laboratório orbital deixe de operar em 2027, cerca de três anos antes de sua obsolescência programada.
No entanto, a desativação prematura levanta questões importantes a serem consideradas.
Embora a ISS esteja envelhecendo, ainda tem uma vida útil de pelo menos meia década. O laboratório continua operando, sendo útil e representando um símbolo cultural significativo da presença humana no espaço. Além disso, não é um projeto exclusivo dos Estados Unidos, mas sim uma colaboração entre EUA, Rússia, Canadá, Japão e Europa.
Outro ponto relevante é que a participação de Musk nas políticas espaciais oficiais dos EUA e seu impacto no orçamento representam um grande conflito de interesses, pois a SpaceX é um dos principais contratantes da NASA. A agência espacial depende dos foguetes, cápsulas e tecnologias desenvolvidas pela empresa de Musk.
O papel da SpaceX na desativação da ISS
A NASA anunciou que a SpaceX será responsável pelo design e construção do veículo que desativará a ISS, um contrato avaliado em até US$ 843 milhões. Esse veículo ainda não existe, mas será fundamental para guiar a maior estrutura já construída e enviada ao espaço para sua reentrada controlada na atmosfera terrestre, onde será destruída e seus destroços cairão no oceano. Essa é uma operação altamente complexa que exigirá extrema precisão para minimizar riscos à população.
Missões tripuladas a Marte
A NASA também tem planos para expandir as viagens espaciais, incluindo as missões Artemis à Lua. Embora o objetivo final seja enviar humanos a Marte, essa ainda é uma meta teórica com previsão para as décadas de 2030 ou 2040. Questões médicas e fisiológicas, como os efeitos da microgravidade no corpo humano, ainda precisam ser amplamente estudadas.
O cosmonauta Valeri Polyakov passou 437 dias a bordo da estação espacial Mir entre 1994 e 1995. Uma viagem de ida e volta a Marte poderia durar quase três anos. Pesquisas sobre os impactos desse tipo de missão estão atualmente sendo conduzidas a bordo da ISS, tornando a estação fundamental para o sucesso das futuras missões interplanetárias.
Atualmente, a ISS é uma das duas únicas estações espaciais operacionais em órbita, junto com a estação chinesa Tiangong. Estações espaciais privadas ainda estão em fase teórica, e a NASA só selecionará projetos concretos no próximo ano. Se a ISS for desativada dentro de dois anos, tanto a NASA quanto os EUA enfrentarão uma lacuna indefinida sem um laboratório em órbita terrestre baixa.
O impacto da decisão de Musk
Quando questionado por um repórter sobre sua proposta de desativação da ISS, Musk respondeu que a decisão não cabe a ele, mas que essa é a recomendação que fez ao presidente: “Daqui a dois anos”.
Se o orçamento da NASA for redirecionado para a exploração de Marte, a SpaceX continuará a se beneficiar, pois é a principal empresa responsável pelo transporte de astronautas à ISS. No entanto, Musk está obcecado com a ideia de levar humanos a Marte, enquanto a NASA prioriza primeiro a criação de uma presença humana permanente e sustentável na Lua por meio do programa Artemis — um projeto que o bilionário já criticou.