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Ciência

Um terceiro planeta foi descoberto em um sistema estelar a 91 anos-luz da Terra

Um planeta rochoso recém-descoberto em um sistema estelar próximo está chamando a atenção dos cientistas. O achado ajuda a entender como mundos semelhantes à Terra se formam na galáxia.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A busca por planetas parecidos com a Terra continua avançando em ritmo impressionante. A cada ano, telescópios mais sensíveis e análises de dados cada vez mais precisas revelam mundos que antes permaneciam completamente invisíveis. Agora, um novo estudo liderado por cientistas europeus identificou um planeta rochoso em um sistema estelar relativamente próximo. A descoberta amplia o mapa de exoplanetas conhecidos e oferece novas pistas sobre como se formam os sistemas planetários.

Um novo mundo em um sistema estelar já conhecido

O planeta recém-identificado orbita a estrela HD 176986, localizada a cerca de 91 anos-luz da Terra.

Embora essa distância pareça enorme, em termos astronômicos trata-se de um sistema relativamente próximo.

A estrela pertence à categoria das anãs laranjas do tipo K, um tipo de estrela um pouco menor e menos luminosa que o Sol.

Esse sistema já havia chamado a atenção dos astrônomos anteriormente.

Em 2018, pesquisadores haviam identificado dois planetas orbitando essa estrela: HD 176986 b e HD 176986 c.

Esses mundos possuem órbitas muito curtas, completando uma volta ao redor da estrela em aproximadamente 6,5 dias e 16,8 dias, respectivamente.

Agora, os cientistas descobriram um terceiro planeta no sistema.

O novo mundo recebeu o nome de HD 176986 d.

Ele pertence à categoria conhecida como superterra — planetas com massa maior que a da Terra, mas muito menores que gigantes gasosos como Júpiter ou Saturno.

Segundo os dados observacionais, sua massa mínima é inferior a sete vezes a massa da Terra.

O planeta também possui uma órbita mais distante que os outros dois mundos do sistema, levando cerca de 61 dias para completar uma volta ao redor da estrela.

Por que esse tipo de planeta ainda é raro

Apesar de milhares de exoplanetas já terem sido descobertos, mundos com características semelhantes às de HD 176986 d ainda são relativamente incomuns.

Planetas pequenos que orbitam mais longe de suas estrelas são particularmente difíceis de detectar.

Isso acontece porque sua influência gravitacional sobre a estrela é extremamente sutil.

De acordo com os pesquisadores, apenas uma pequena quantidade de exoplanetas conhecidos possui simultaneamente:

  • massa inferior a sete vezes a da Terra
  • período orbital superior a 50 dias

Detectar esse tipo de planeta exige observações prolongadas e medições extremamente precisas.

Foi exatamente isso que permitiu a descoberta.

Os cientistas acompanharam o comportamento da estrela durante vários anos até identificar um sinal gravitacional consistente indicando a presença de um terceiro planeta.

O desafio de separar sinais planetários da atividade estelar

Um dos maiores desafios na busca por exoplanetas é distinguir entre sinais reais de planetas e variações naturais da própria estrela.

Estrelas não são objetos estáticos.

Elas podem apresentar manchas estelares, ciclos magnéticos e variações na superfície, fenômenos que produzem sinais semelhantes aos causados por planetas em órbita.

Por isso, antes de confirmar a existência de um novo mundo, os pesquisadores realizaram diversos testes para garantir que o sinal detectado não estava relacionado à atividade estelar.

Após análises detalhadas, os dados continuaram apresentando todas as características esperadas de um planeta.

Esse processo de verificação é essencial para evitar falsos positivos na astronomia.

Sistema Estelar3
© Joop Hoek – Shutterstock

A tecnologia que permitiu detectar um planeta quase invisível

O planeta foi identificado usando o método conhecido como velocidade radial.

Essa técnica mede pequenas oscilações no movimento de uma estrela causadas pela gravidade dos planetas que orbitam ao seu redor.

Mesmo planetas pequenos exercem uma leve influência gravitacional que faz a estrela se mover sutilmente para frente e para trás.

Detectar esse efeito exige instrumentos extremamente sensíveis.

No estudo, os cientistas utilizaram alguns dos espectrógrafos mais precisos do mundo, incluindo:

  • HARPS
  • ESPRESSO
  • HARPS-N

Esses instrumentos estão instalados em grandes observatórios no Chile e nas Ilhas Canárias.

Além disso, os pesquisadores empregaram um sistema avançado de análise de dados chamado YARARA, que ajuda a remover ruídos nos espectros da estrela.

Esse tipo de ferramenta permite revelar sinais planetários que poderiam passar despercebidos.

No total, o estudo utilizou dados coletados ao longo de mais de 350 noites de observação.

Um pequeno planeta que ajuda a responder grandes perguntas

Descobertas como a de HD 176986 d são importantes não apenas por adicionar mais um planeta ao catálogo de exoplanetas conhecidos.

Elas ajudam os cientistas a entender melhor como sistemas planetários se formam e evoluem.

Planetas rochosos, especialmente aqueles com massas semelhantes à da Terra, são fundamentais para compreender a diversidade de mundos existentes na galáxia.

Cada novo planeta identificado fornece pistas sobre os processos que levaram à formação de sistemas como o nosso.

E quanto mais mundos semelhantes à Terra forem encontrados, maiores serão as chances de descobrir ambientes potencialmente habitáveis espalhados pela Via Láctea.

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