Os Estados Unidos entraram oficialmente em uma nova fase de endurecimento migratório. Uma decisão do governo federal reacendeu o clima de incerteza para milhares de estrangeiros que vivem legalmente no país. O que parecia um status definitivo agora pode ser reaberto, questionado e até revertido, num movimento que tem forte motivação política e impacto humano direto.
Uma ordem que muda o jogo da imigração
O governo de Donald Trump determinou a revisão em massa de todas as “green cards” concedidas a cidadãos de 19 países considerados “zonas de preocupação”. A medida foi ativada após um ataque ocorrido em Washington e marca o início de uma nova etapa de controles migratórios ainda mais rígidos.
A confirmação veio por meio do diretor do USCIS, Joe Edlow, que afirmou que a revisão será “exhaustiva e rigorosa”. Pouco depois, o órgão direcionou à CNN a lista oficial dos países incluídos na ordem presidencial.
Quem está na mira da revisão
A lista inclui Afeganistão, Mianmar, Chade, República do Congo, Guiné Equatorial, Eritreia, Haiti, Irã, Líbia, Somália, Sudão, Iêmen, Burundi, Cuba, Laos, Serra Leoa, Togo, Turcomenistão e Venezuela. Todos os residentes permanentes ligados a esses países passarão por um novo processo de análise.
Muitos desses estrangeiros obtiveram residência legal por meio de programas humanitários, reassentamento de refugiados e pedidos de asilo aprovados ao longo da última década. Agora, mesmo quem já vive, trabalha e paga impostos há anos pode ter sua situação reavaliada.
O caso que acelerou a decisão
A medida ganhou velocidade após a identificação do suspeito de um ataque em Washington como um cidadão afegão que havia entrado nos Estados Unidos em 2021 por meio da Operação Bem-vindos aos Aliados. Ele recebeu proteção humanitária durante o governo anterior e teve o asilo oficialmente aprovado já sob a atual administração, em abril de 2025.
Após esse episódio, o Departamento de Segurança Interna suspendeu de forma imediata e por tempo indeterminado todas as solicitações de imigração vinculadas a cidadãos afegãos. Também anunciou que revisará todos os casos de asilo concedidos nos últimos anos.

Um recado político e institucional
Por trás da revisão das “green cards”, existe uma mensagem clara: reconfigurar todo o sistema migratório dos Estados Unidos. A residência permanente garante o direito de viver e trabalhar legalmente no país e é o principal caminho para a cidadania. Reabrir esses processos significa, na prática, colocar milhares de pessoas em um limbo jurídico.
Trump afirmou publicamente que durante o governo anterior teriam entrado “milhões de estrangeiros sem verificação adequada”, embora esses números não tenham sido oficialmente comprovados. Ainda assim, o discurso de “segurança e controle” voltou ao centro da política migratória.
Reações e impacto humano
Organizações de defesa dos direitos civis alertam para as consequências da medida. Muitos dos atingidos participaram de missões junto às forças armadas americanas, atuaram como intérpretes ou colaboraram diretamente com agências federais. Para essas famílias, a revisão representa não apenas insegurança jurídica, mas também risco real de deportação.
A revisão das “green cards” marca um divisor de águas na política migratória atual. O alcance final da medida ainda é incerto, mas seu impacto político e humano já é evidente. Para milhares de imigrantes, o futuro voltou a ser uma grande incógnita.