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Tecnologia

Uma fórmula simples no seu relógio pode prever doenças cardíacas antes que apareçam sintomas

Uma simples relação entre batimentos cardíacos e número de passos registrada por relógios inteligentes pode antecipar riscos cardíacos com mais precisão do que os métodos tradicionais. A nova métrica DHRPS promete transformar a prevenção cardiovascular, democratizando o acesso a dados valiosos e incentivando o cuidado contínuo com a saúde.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Pesquisadores americanos descobriram uma nova forma de usar dados de relógios inteligentes para identificar riscos cardíacos com mais precisão. Uma métrica inovadora que relaciona frequência cardíaca e número de passos diários pode se tornar uma ferramenta poderosa de prevenção. E o melhor: qualquer pessoa pode acessá-la diretamente do próprio pulso.

A nova métrica que pode revolucionar a prevenção

Chamado de DHRPS, o novo índice criado pelos cientistas é obtido ao dividir a frequência cardíaca média do dia pelo total de passos dados. Segundo os pesquisadores, essa relação oferece uma visão mais completa da capacidade do coração de lidar com esforço físico e estresse ao longo do dia — algo que métricas isoladas não conseguem detectar com a mesma eficácia.

Zhanlin Chen, estudante de medicina da Universidade Northwestern, em Chicago, e líder do estudo, explica que a DHRPS mede mais do que apenas atividade física: ela capta a capacidade de adaptação do coração. Por isso, pode se tornar um marcador precoce de risco cardiovascular, acessível a qualquer pessoa com um smartwatch.

Estudo com mais de 6 mil participantes

A equipe analisou dados de mais de 6 mil adultos americanos participantes do programa de pesquisa All of Us, cruzando informações de dispositivos Fitbit com prontuários médicos. Os resultados mostraram uma relação direta entre valores altos de DHRPS e maior probabilidade de doenças cardiovasculares.

Pessoas com DHRPS elevado tinham o dobro de chances de desenvolver diabetes tipo 2, 1,7 vezes mais risco de insuficiência cardíaca, 1,6 vezes mais risco de hipertensão e 1,4 vezes mais propensão a aterosclerose coronariana. No entanto, não foi encontrada relação direta com infartos ou AVCs.

DHRPS é mais eficaz que dados isolados

O estudo apontou que a nova métrica está mais fortemente ligada a diagnósticos cardíacos do que a contagem de passos ou a frequência cardíaca analisadas separadamente. Isso reforça a relevância do DHRPS como uma ferramenta preventiva, capaz de identificar indivíduos em risco e indicar intervenções antecipadas — como mudanças no estilo de vida ou avaliações médicas mais detalhadas.

Chen apresentará os resultados no encontro anual do Colégio Americano de Cardiologia, em Chicago, no dia 29 de março, destacando o potencial da tecnologia vestível na medicina preventiva.

Tecnologia portátil e saúde: um casamento promissor

Apesar do entusiasmo, os pesquisadores reconhecem limitações. O estudo não esclarece se os dados foram registrados antes ou depois do diagnóstico das doenças nos participantes. Por isso, novos estudos serão conduzidos com intervalos mais curtos de análise para validar os resultados com maior precisão.

Ainda assim, o avanço representa uma grande oportunidade para integrar a tecnologia à medicina de forma mais ativa. Com o tempo, a DHRPS pode ser incluída em aplicativos de saúde dos próprios relógios, facilitando a adoção em larga escala por médicos e usuários.

Além do coração: outros benefícios dos smartwatches

A utilidade dos relógios inteligentes na saúde não para por aí. Pesquisas anteriores já mostraram que esses dispositivos também podem ajudar a prever o risco de demência. Dados como o ritmo da caminhada, o número de passos diários e até os horários de sono foram associados a sinais precoces de declínio cognitivo.

Pessoas que caminhavam mais rápido tinham 40% menos risco de demência, enquanto aquelas que dormiam por mais de nove horas antes das 21h apresentavam 60% mais chances de desenvolver o problema.

Esses achados confirmam que, com os avanços certos, os dispositivos vestíveis podem se tornar aliados poderosos na prevenção, não só de doenças cardíacas, mas também neurológicas.

 

Fonte: Infobae

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