Milhares — talvez milhões — de manjubinhas transformaram uma das praias mais famosas do mundo em um verdadeiro documentário ao vivo sobre vida marinha. Um fenômeno raro, visualmente hipnotizante e que deixou banhistas, moradores e turistas sem palavras.
O que eram aquelas “manchas” no mar
Vistas do alto, as imagens impressionaram. O helicóptero da TV mostrou cardumes que se estendiam por quilômetros ao longo da orla de Copacabana. Dentro d’água, a cena era ainda mais surreal: peixes passando entre as pessoas, formando círculos, ondas escuras e desenhos que mudavam a cada segundo.
“Você fica rodeado, tudo preto, e de repente abre um círculo verde ao redor”, descreveu um dos banhistas. Outro comentou que nunca tinha visto algo parecido, mesmo frequentando a praia há décadas.
O mar colaborou. Com ondas baixas, entre meio metro e um metro, e águas relativamente calmas, o cenário virou um verdadeiro balé entre humanos e peixes.
Quem são as manjubinhas que tomaram a praia
As protagonistas do espetáculo foram as manjubinhas, peixes pequenos — muitos com cerca de 5 centímetros — comuns em águas tropicais brasileiras. Apesar do tamanho, quando se reúnem em grandes cardumes, criam cenas impressionantes.
Segundo o biólogo Ricardo Gomes, do Instituto Mar Urbano, a quantidade era tão absurda que dava até para exagerar: “Arrisco dizer que tinha mais peixe em Copacabana hoje do que gente em todo o Brasil”, brincou.
🐟 Cardume de manjubinhas transforma Copacabana, no Rio, em espetáculo de vida marinha
Fenômeno raro é resultado de encontro de águas ricas em nutrientes.
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— Jornal Nacional (@jornalnacional) December 27, 2025
Por que isso aconteceu justo agora
Cardumes nas praias do Rio não são novidade absoluta. Há poucas semanas, outro grupo enorme de peixes foi avistado na Barra da Tijuca. Mas o que aconteceu em Copacabana foi especial porque vários fatores se alinharam ao mesmo tempo.
A praia fica próxima à entrada da Baía de Guanabara, uma região naturalmente rica em nutrientes. Neste dia específico, essas águas se encontraram com correntes vindas de Arraial do Cabo, conhecidas por trazer águas profundas e frias para a superfície — um fenômeno chamado ressurgência.
Essas águas profundas são carregadas de nutrientes, verdadeiros “buffets” naturais para pequenos peixes. Empurradas pelo vento, elas chegaram até Copacabana, transformando a praia em um restaurante a céu aberto para as manjubinhas.
Um lembrete poderoso sobre o mar
Em poucos dias, Copacabana vai receber uma de suas maiores multidões do ano, com o réveillon. Mas, para muitos que estavam ali nesta sexta, o espetáculo natural superou qualquer show de fogos.
A cena também trouxe reflexão. Nina, de 9 anos, mergulhava com o pai e resumiu melhor do que qualquer adulto: o mar ainda está vivo, mesmo em uma praia tão populosa. E isso não é um convite ao descuido — é um alerta.
O episódio mostrou que, apesar da poluição, do lixo e da pressão urbana, a vida marinha ainda resiste. Cabe a nós decidir se esse tipo de espetáculo continuará sendo possível no futuro — ou se vai virar apenas memória.
[Fonte: G1 – Globo]