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Ciência

Vestígios revelados sob igreja histórica reacendem debate milenar sobre um dos locais mais sagrados do mundo

Achados arqueológicos em Jerusalém apontam para uma antiga paisagem descrita nos evangelhos e podem reforçar uma narrativa central da tradição cristã.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Durante uma escavação recente no coração de Jerusalém, pesquisadores revelaram pistas surpreendentes sob um dos locais mais venerados do cristianismo. As descobertas oferecem evidências arqueológicas que dialogam com descrições feitas no Evangelho de João e reacendem um debate que atravessa séculos: onde, exatamente, foi sepultado Jesus de Nazaré?

Indícios de um jardim mencionado na Bíblia

Um estudo realizado por uma equipe da Universidade Sapienza, de Roma, identificou vestígios de um antigo jardim sob a Igreja do Santo Sepulcro, tradicionalmente considerada como o local da crucificação e sepultamento de Jesus. A descoberta reforça o versículo de João 19:41, que relata a presença de um jardim próximo ao túmulo: “Agora, no lugar onde ele foi crucificado, havia um jardim; e no jardim um sepulcro novo…”.

Os pesquisadores encontraram restos de plantas como oliveiras e videiras, datados da era pré-cristã, o que os situa em torno do período atribuído à morte de Jesus — entre os anos 33 e 37 d.C., conforme diferentes análises históricas.

Uma paisagem reconstruída a partir do subsolo

As escavações, iniciadas durante reformas na igreja em 2022, revelaram que a área sobre a qual o templo foi erguido já havia sido usada como pedreira na Idade do Ferro. Após o encerramento da atividade extrativa, o terreno teria sido transformado em um espaço agrícola. Muralhas de pedra baixa foram construídas e o solo entre elas preenchido com terra, criando áreas cultiváveis.

Essa reconstrução paisagística é consistente com a descrição de um jardim entre o Calvário e o túmulo no evangelho de João, segundo apontou a arqueóloga responsável pela pesquisa, Francesca Romana Stasolla, ao jornal The Times of Israel.

Debates sobre a verdadeira localização

A Igreja do Santo Sepulcro foi construída em 335 d.C. por ordem do imperador romano Constantino I, no local onde havia um templo dedicado à deusa Vênus. Durante a construção, foi descoberta uma tumba escavada na rocha, que muitos identificam como o túmulo de Jesus. A igreja tornou-se, desde então, um dos principais centros de peregrinação cristã, recebendo cerca de quatro milhões de visitantes por ano.

No entanto, a localização exata do sepultamento de Jesus continua sendo tema de debate. Alguns estudiosos defendem que o chamado Túmulo do Jardim, também em Jerusalém, se encaixa melhor nas descrições bíblicas. Outros sustentam que a presença de sepulturas do primeiro século na área da igreja fortalece sua autenticidade histórica.

Novas pistas sob o santuário

Durante a mesma campanha de escavação, os arqueólogos também descobriram uma base circular de mármore sob o santuário principal da igreja, envolvendo o que se acredita ser o túmulo de Jesus. Novas análises serão realizadas para determinar a origem e a idade do mármore, o que poderá trazer mais detalhes sobre a construção do local e os esforços para preservá-lo ao longo dos séculos.

Além de fortalecer a conexão entre a tradição bíblica e as evidências físicas do local, os achados recentes contribuem para o conhecimento sobre a transformação da paisagem de Jerusalém desde os tempos antigos — e mantêm vivo o interesse científico e espiritual em torno de um dos pontos mais emblemáticos da história do cristianismo.

[Fonte: Alô Alô Bahia]

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