e imprevisível, jamais observada antes.
O Mistério de Sagitário A*
No coração da Via Láctea reside um gigantesco buraco negro chamado Sagitário A* (Sgr A*). Os astrônomos, utilizando o instrumento NIRCam do telescópio Webb, observaram sua atividade por um total de 48 horas, distribuídas entre 2023 e 2024. As imagens revelaram um disco de acreção turbulento, onde gás e poeira giram a velocidades colossais, gerando um espetáculo visual sem precedentes.
Um Jogo de Luzes Hipnotizante
As observações mostraram que Sgr A* apresenta um padrão contínuo de luzes intermitentes, combinadas com explosões extremamente brilhantes. Esse comportamento ocorre devido a dois fatores principais:
- Uma emissão fraca e constante, causada pelas turbulências internas do disco de acreção.
- Erupções intensas e breves, associadas à reconexão magnética, onde campos magnéticos colidem e liberam enormes quantidades de energia.
Essas variações podem acontecer em segundos ou se prolongar por dias, semanas e até meses.
O Que Está Por Trás das Explosões?
O estudo, publicado na The Astrophysical Journal Letters, sugere que as flutuações aumentam em escala com o tempo. Pequenas perturbações na densidade e no campo magnético do disco causam os flashes mais sutis, enquanto as erupções maiores são resultado de eventos massivos de reconexão magnética – similares às explosões solares, mas com uma intensidade muito maior.
“Nosso estudo mostra uma luminosidade em constante mudança”, afirma Farhad Yusef-Zadeh, autor principal da pesquisa. “De repente, uma explosão brilhante aparece, sem seguir um padrão previsível”. Isso sugere que o disco de acreção está em um processo contínuo de regeneração, gerando até cinco ou seis grandes explosões diárias, além de diversos surtos menores.
O Enigma dos Desfases
O NIRCam do Webb permitiu aos cientistas observar simultaneamente duas faixas do espectro infravermelho (2,1 e 4,8 micrômetros). Ao comparar os dados, os pesquisadores perceberam algo inédito: os eventos observados em comprimentos de onda menores aconteciam ligeiramente antes dos de comprimento maior.
“É a primeira vez que detectamos esse atraso nessas medições”, explica Yusef-Zadeh. “Notamos que o comprimento de onda mais longo apresentava um atraso de três a 40 segundos”. Esse fenômeno é uma evidência crucial de um processo chamado resfriamento sincrotrônico, no qual partículas altamente energéticas perdem energia gradualmente à medida que se afastam do buraco negro.
O Próximo Passo: Observação Contínua
Os cientistas planejam agora realizar uma observação ininterrupta de Sgr A* por 24 horas, a fim de determinar se esses eventos seguem algum padrão cíclico ou se realmente são aleatórios.
Cada flash e cada explosão no disco de acreção do buraco negro supermassivo nos aproxima de uma compreensão mais profunda da física dos horizontes de eventos – uma das regiões mais extremas do universo. Essas descobertas nos ajudam a explorar como o espaço-tempo e a matéria se comportam sob a influência de uma gravidade esmagadora.
Fonte: Xataka