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Tecnologia

X, de Elon Musk, sofre apagão global e deixa usuários sem acesso à plataforma

Falhas começaram pela manhã e atingiram diversas regiões do mundo, incluindo grandes cidades dos Estados Unidos. A instabilidade também afetou o chatbot Grok e reacendeu críticas sobre a confiabilidade da rede social.
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Tempo de leitura: 4 minutos

A rede social X, controlada por Elon Musk, enfrentou nesta sexta-feira uma queda generalizada que deixou milhares de usuários sem acesso à plataforma em diferentes partes do mundo. Relatos de instabilidade começaram a surgir por volta das 10h da manhã no horário da Costa Leste dos Estados Unidos e continuavam no ar no momento da publicação deste texto, segundo dados do site DownDetector.

Para muitos usuários, o problema não foi pontual. A plataforma simplesmente não carregava, enquanto outros relataram dificuldades para atualizar o feed, publicar mensagens ou acessar conteúdos já existentes. A situação rapidamente gerou frustração — e, como já virou padrão, impulsionou uma nova onda de migração temporária para redes concorrentes.

Falhas concentradas em grandes centros urbanos

De acordo com o DownDetector, dezenas de milhares de notificações foram registradas em poucas horas. Os principais focos de problemas apareceram em grandes cidades dos Estados Unidos, como Nova York, Los Angeles, Dallas e Atlanta, mas usuários de outros países também relataram instabilidade.

A abrangência do apagão sugere um problema estrutural, possivelmente ligado à infraestrutura central da plataforma. Até o momento, no entanto, o X não apresentou qualquer explicação técnica pública sobre a causa da falha.

Esse tipo de silêncio não é novidade. Desde que assumiu o controle da empresa, Elon Musk adotou uma postura abertamente hostil em relação à imprensa tradicional, reduzindo drasticamente a comunicação institucional da plataforma.

Grok também apresentou instabilidade

Além do X em si, usuários relataram dificuldades de acesso ao Grok, o chatbot de inteligência artificial desenvolvido pela xAI, empresa de Musk. Embora o volume de reclamações tenha sido menor, os registros indicam que o serviço também foi impactado durante o período de instabilidade.

O momento é particularmente sensível para o Grok. Nas últimas semanas, o chatbot esteve no centro de uma controvérsia internacional após usuários utilizarem a ferramenta para gerar imagens sexualizadas não consensuais de mulheres e meninas.

Como consequência, países como Malásia e Indonésia decidiram banir o Grok completamente, enquanto outras nações abriram investigações formais sobre o uso e os riscos da ferramenta.

Investigações e restrições ao chatbot

Nos Estados Unidos, promotores-gerais da Califórnia e do Arizona teriam iniciado investigações sobre o funcionamento do Grok e sua conformidade com leis locais. Em resposta à pressão crescente, a xAI passou a impor limitações mais rígidas ao uso do chatbot.

Usuários do fórum r/Grok, no Reddit, relataram ao longo da semana que já não conseguem gerar conteúdos considerados NSFW, algo que antes era possível. A mudança foi vista por parte da comunidade como uma tentativa tardia de contenção de danos.

A combinação entre investigações, bloqueios internacionais e agora instabilidade técnica reforça a percepção de que o Grok — e a própria xAI — atravessam um período turbulento.

Silêncio da empresa e hostilidade à imprensa

Procurada por jornalistas, a empresa responsável pelo X não respondeu aos pedidos de esclarecimento enviados nesta sexta-feira. Esse comportamento segue um padrão já conhecido.

No passado, Elon Musk chegou a configurar um responder automático com um emoji de fezes para e-mails enviados por jornalistas. Embora isso não tenha se repetido agora, a xAI mantém uma resposta automática semelhante, enviando a frase “Legacy Media Lies” (“A mídia tradicional mente”) a perguntas feitas por repórteres.

A ausência de comunicação oficial contribui para a incerteza e dificulta a avaliação do impacto real da falha, tanto para usuários comuns quanto para anunciantes e parceiros comerciais.

Migração recorrente para plataformas rivais

Sempre que o X enfrenta problemas técnicos ou crises de imagem, o efeito colateral é quase imediato: usuários migram, ainda que temporariamente, para redes concorrentes como Threads, da Meta, e Bluesky, criada por Jack Dorsey, um dos cofundadores do Twitter original.

Embora muitos retornem após a normalização do serviço, esses episódios reforçam a fragmentação do ecossistema das redes sociais e alimentam a sensação de instabilidade permanente na plataforma de Musk.

Um histórico de turbulência

Desde a aquisição do antigo Twitter, o X passou por demissões em massa, mudanças frequentes de regras, ajustes técnicos controversos e decisões que afetaram a confiabilidade do serviço. Especialistas apontam que cortes profundos em equipes de engenharia e infraestrutura podem aumentar a probabilidade de falhas como a registrada agora.

Sem uma explicação oficial, resta aos usuários aguardar — ou buscar alternativas.

O site Gizmodo informou que atualizará a cobertura caso o X ou a xAI se manifestem. Até lá, o apagão serve como mais um lembrete de que, sob a nova gestão, a maior incógnita da plataforma talvez não seja o que será publicado nela, mas se ela estará disponível quando alguém tentar acessá-la.

 

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