A automação industrial não é novidade, mas uma nova fase dessa transformação começa a ganhar forma. Em vez de braços robóticos fixos ou máquinas especializadas, algumas empresas estão experimentando algo mais ambicioso: robôs com aparência e movimentos semelhantes aos humanos. Agora, uma grande fabricante de tecnologia revelou que já começou a testar esse tipo de tecnologia diretamente em sua linha de produção.
Os novos “estagiários” que estão aprendendo dentro da fábrica

Durante uma entrevista concedida à CNBC no Mobile World Congress 2026, o presidente da Xiaomi, Lu Weibing, revelou que a empresa já iniciou testes com robôs humanoides em suas fábricas de carros elétricos.
Segundo o executivo, os dispositivos foram desenvolvidos internamente pela própria companhia e estão sendo utilizados em caráter experimental dentro das instalações industriais.
Weibing descreveu os robôs como “estagiários”, uma forma de explicar que ainda estão em fase inicial de aprendizado e adaptação às atividades da fábrica.
Mesmo nesse estágio preliminar, os robôs já executam tarefas práticas na linha de produção. Entre as atividades realizadas estão a instalação de porcas em componentes automotivos e o transporte de diferentes tipos de materiais dentro da fábrica.
A ideia é que essas máquinas possam aprender gradualmente com a experiência prática, aprimorando suas habilidades ao longo do tempo.
O presidente da Xiaomi afirmou que os testes iniciais mostram resultados promissores. De acordo com ele, os robôs conseguem completar cerca de 90% das tarefas atribuídas em aproximadamente três horas de trabalho.
O principal desafio, no entanto, não está apenas na execução das tarefas — mas em acompanhar o ritmo extremamente rápido da produção automotiva.
Na fábrica de carros elétricos da Xiaomi, um novo veículo sai da linha de montagem a cada 76 segundos. Segundo Weibing, os dois robôs humanoides atualmente em teste já conseguem acompanhar esse ritmo.
O plano da Xiaomi para robôs nas linhas de montagem
Embora ainda estejam em fase experimental, os robôs humanoides podem desempenhar um papel cada vez mais importante nas fábricas da empresa.
De acordo com o presidente da Xiaomi, no futuro essas máquinas poderão assumir algumas funções hoje realizadas por trabalhadores humanos.
Ao mesmo tempo, o executivo destacou que os robôs também poderão executar tarefas que seriam difíceis ou até impossíveis para pessoas.
Isso inclui trabalhos repetitivos ou operações que exigem precisão constante durante longos períodos.
A empresa, no entanto, afirma que os testes ainda estão em andamento e que os robôs não desempenham funções oficiais na produção.
Os chamados “estagiários robóticos” continuam sendo avaliados para verificar seu desempenho, confiabilidade e capacidade de adaptação ao ambiente industrial.
Essa estratégia se insere em um movimento mais amplo dentro da indústria tecnológica chinesa.
Nos últimos anos, várias empresas do país começaram a investir pesadamente no desenvolvimento de robôs humanoides, vistos por muitos analistas como a próxima grande fronteira da automação.
Uma corrida tecnológica que vai além das fábricas
A Xiaomi já havia apresentado anteriormente um robô humanoide ao público.
Em 2022, a empresa revelou o CyberOne, um protótipo projetado para demonstrar avanços em mobilidade, equilíbrio e interação com humanos. Apesar da apresentação, o robô não chegou a ser comercializado.
Os novos testes nas fábricas indicam que a companhia continua investindo nesse tipo de tecnologia, agora com foco mais direto em aplicações industriais.
A tendência não se limita à Xiaomi.
Diversas empresas chinesas têm demonstrado interesse crescente em robôs humanoides, tanto para uso industrial quanto para apresentações públicas que destacam o avanço tecnológico do país.
Um exemplo recente ocorreu durante as celebrações do Ano Novo Chinês organizadas pelo China Media Group.
No evento, robôs humanoides foram apresentados em performances no palco, realizando coreografias complexas, manipulando ferramentas e até simulando movimentos de combate.
Essas demonstrações ajudam a ilustrar o rápido avanço da robótica no país.
Enquanto algumas apresentações servem para impressionar o público, outras apontam para aplicações muito mais práticas — como a automação de fábricas inteiras.
Se os testes conduzidos pela Xiaomi continuarem evoluindo, os atuais “estagiários” robóticos podem se tornar parte permanente das linhas de montagem no futuro.
E isso pode representar apenas o começo de uma transformação mais profunda na forma como produtos são fabricados.
[Fonte: Olhar digital]