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Ciência

A maior tempestade solar de 2025 começou com uma erupção explosiva — e agora uma nuvem de plasma viaja rumo à Terra com potencial para causar impactos globais

Uma poderosa erupção solar lançou radiação e uma imensa nuvem de plasma em direção à Terra, provocando apagões de rádio e colocando satélites e redes elétricas em alerta. Especialistas afirmam que o evento, o mais forte de 2025, pode desencadear tempestades geomagnéticas severas e auroras visíveis em regiões pouco habituadas ao fenômeno.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O Sol vive um de seus períodos mais agitados das últimas duas décadas e, nesta semana, liberou uma erupção que rapidamente se tornou a maior de 2025. A explosão, registrada em apenas alguns minutos, lançou radiação de alta energia e uma eyeção de massa coronal direcionada à Terra. O resultado imediato foram falhas de comunicação na África e na Europa, enquanto cientistas tentam antever o impacto que a tempestade terá sobre satélites, aviões e redes elétricas.

A erupção que desencadeou a tempestade

Astrônomos alertam para gigantesco grupo de manchas solares que está causando problemas — e não será o único
© NASA Solar Dynamics Observatory (SDO)

Segundo o Centro de Previsão do Clima Espacial da NOAA, a explosão registrada foi uma chama solar de classe X5.1, liberada pela região ativa AR4274 após três dias consecutivos de instabilidade. Nos dias anteriores, o Sol já havia emitido erupções X1.7 e X1.2, acompanhadas de eyeções de massa coronal que agora cruzam o espaço interplanetário.

A erupção de classe X — a categoria mais energética da escala — lançou radiação que viajou a cerca de 7 milhões de quilômetros por hora, alcançando a Terra em minutos e ionizando as camadas superiores da atmosfera. O efeito imediato foi sentido nas comunicações de alta frequência utilizadas por aviões e embarcações, provocando apagões de rádio principalmente na Europa, no Norte da África e no Oriente Médio.

Caso as três nuvens de plasma emitidas sucessivamente se combinem, especialistas não descartam um impacto geomagnético excepcional, com potencial para atingir a magnetosfera terrestre de forma mais intensa do que o previsto inicialmente.

Como as tempestades solares afetam a Terra

Quando o plasma solar atinge o campo magnético terrestre, ele o distorce e desencadeia uma cadeia de reações que afetam sistemas elétricos, satélites e sinais de navegação. Nas próximas horas, a NOAA prevê tempestades geomagnéticas de categoria G4, considerada severa, com possíveis efeitos como:

  • flutuações temporárias na rede elétrica;

  • interferência em satélites e GPS;

  • interrupções em comunicações aeronáuticas;

  • auroras visíveis a milhares de quilômetros do Ártico.

As belas luzes que surgem no céu são, na prática, o efeito visível de partículas solares colidindo com átomos de oxigênio e nitrogênio na atmosfera. Quando esses átomos retornam ao seu estado normal, liberam energia na forma de luz, criando tons verdes, rosas e violetas.

Com a intensidade esperada, auroras podem ser vistas tão ao sul quanto Alabama e o norte da Califórnia — algo raro em tempestades moderadas.

Um Sol mais ativo e imprevisível

O telescópio solar mais poderoso da Terra viu o Sol se retorcer — e isso pode explicar por que sua atmosfera é milhões de graus mais quente que a superfície
© Freepik.

O físico solar Keith Strong resumiu o momento atual com uma frase que viralizou:
“Estamos vendo um Sol mais ativo, mais imprevisível e mais explosivo que nos últimos anos.”

A causa está no Ciclo Solar 25, que teve início em 2019 e se aproxima do pico — estimado entre o fim de 2024 e meados de 2025. Durante essa fase, o campo magnético do Sol se reorganiza e se inverte, aumentando a frequência de erupções, manchas solares e eyeções de massa coronal.

Esse comportamento explica por que, nos últimos meses, auroras foram vistas em locais improváveis como Alemanha, Reino Unido, Nova Inglaterra e até mesmo o estado de Nova York.

O lado perigoso do clima espacial

As auroras são um espetáculo natural, mas o clima espacial extremo oferece riscos reais. Quando uma tempestade atinge intensidade suficiente, ela pode:

  • sobrecarregar transformadores e provocar quedas regionais de energia;

  • danificar satélites em órbita;

  • interferir em rotas aéreas polares;

  • comprometer telecomunicações, sistemas bancários e posicionamento global.

A história registra eventos de grande escala. O Evento Carrington, em 1859, produziu auroras visíveis até em Cuba e incendiou linhas telegráficas. Em 1972, uma tempestade detonou minas navais no litoral do Vietnã.

Hoje, mesmo com tecnologia mais robusta, o risco permanece. A dependência crescente de satélites e redes elétricas torna qualquer perturbação mais delicada.

Uma oportunidade científica em meio ao caos

A NOAA e a NASA monitoram o Sol continuamente por meio de sondas como o Solar Dynamics Observatory (SDO) e o SOHO, que acompanham erupções e ajudam a emitir alertas com poucas horas de antecedência.

Embora esses fenômenos representem um desafio para infraestrutura global, também oferecem uma oportunidade rara para estudar a dinâmica solar em tempo real. A nuvem de plasma liberada agora é uma das mais energéticas desde 2023, e seu impacto deve fornecer dados valiosos sobre o comportamento magnético da nossa estrela.

Com o ciclo solar atingindo seu auge, especialistas esperam mais tempestades intensas até o final de 2025 — um lembrete de que, apesar de vivermos a 150 milhões de quilômetros de distância, continuamos profundamente conectados ao temperamento do Sol.

 

[ Fonte: Infobae ]

 


 

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