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Ciência

A tecnologia que pode mudar as comunicações navais (e ir além do mar)

Em alto-mar, falar em privacidade e estabilidade de sinal parece impossível. Mas uma nova tecnologia testada pela OTAN promete revolucionar essa realidade. Utilizando feixes de laser em vez de ondas de rádio, o sistema alcançou resultados inéditos em condições adversas, abrindo caminho para usos que vão muito além do oceano.
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Durante séculos, navios dependeram de rádio para se comunicar. O método é confiável, mas vulnerável a interferências e pouco discreto em operações militares sensíveis. Agora, a empresa lituana Astrolight apresentou um sistema inovador: o POLARIS, que utiliza comunicação óptica a laser para criar conexões indetectáveis e seguras. Os primeiros testes, realizados em um grande exercício naval da OTAN, surpreenderam pela eficiência.

O teste em alto-mar

A OTAN instalou dois terminais POLARIS em navios que navegavam no Mar Báltico, sob chuva e mar agitado. Ainda assim, a conexão se manteve estável, transmitindo dados sem interferências. Laurynas Maciulis, CEO da Astrolight, destacou que até mesmo a Marinha da Lituânia, cliente direto, ficou impressionada com os resultados.

Segundo a iniciativa DIANA, braço tecnológico da OTAN, o sistema permitiu comunicação “em silêncio de rádio, indetectável e livre de interferências” a até 15 quilômetros de distância — o triplo da meta inicial.

Como funciona o POLARIS

Com apenas 16 quilos, o POLARIS é um dispositivo de comunicações ópticas em espaço livre (FSO). Ele transforma informações digitais em sinais de luz, que são recebidos e decodificados pelo terminal parceiro. Trata-se de uma versão avançada do mesmo princípio usado em controles remotos domésticos, mas aplicada em grande escala e com muito mais potência.

O sistema conseguiu transmitir gigabytes de dados em tempo real, inclusive mantendo simultaneamente mais de dez transmissões de vídeo em HD, mesmo sob chuva, nevoeiro e durante a noite.

Mais do que navios: potencial para o Ártico e o espaço

Para Dalius Petrulionis, CTO da Astrolight, a motivação para o projeto também veio da crescente ameaça de ataques a sistemas de GPS em territórios da OTAN. Os testes demonstraram que a tecnologia a laser pode se consolidar como alternativa robusta às frequências de rádio tradicionais.

Além de expandir o uso naval, a empresa estuda aplicações em ambientes extremos, como o Ártico, onde sistemas convencionais enfrentam dificuldades. No entanto, a ambição maior está no espaço: a Astrolight já trabalha no terminal ATLAS-2, voltado a comunicações ópticas entre satélites e a Terra, previsto para lançamento em 2026.

Um salto estratégico para a OTAN

A adoção de comunicações ópticas representa mais que um avanço técnico: é um recurso estratégico em um cenário geopolítico marcado por ciberataques e disputas no espectro eletromagnético. A promessa de canais indetectáveis e livres de interferência pode transformar tanto operações militares quanto pesquisas científicas.

O teste no Báltico deixa claro que o futuro da comunicação segura pode estar na luz. E, ao que tudo indica, esse futuro está mais próximo do que imaginávamos.

Fonte: Gizmodo ES

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