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Tecnologia

A mesma técnica usada para unir Dinamarca e Alemanha sob o mar será aplicada no primeiro túnel imerso brasileiro, entre Santos e Guarujá

Uma megaconstrução na Europa está lançando as bases para um modelo inédito de engenharia no Brasil. E os detalhes surpreendem.
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Tempo de leitura: 2 minutos

No litoral de São Paulo, uma obra ambiciosa começa a sair do papel com promessas de transformar a mobilidade entre Santos e Guarujá. O projeto segue uma inspiração europeia que impressiona pelo tamanho e complexidade. Enquanto o Brasil se prepara para o seu primeiro túnel imerso, a Europa lidera uma revolução silenciosa sob as águas com uma estrutura monumental.

O gigante submerso que liga países

A mesma técnica usada para unir Dinamarca e Alemanha sob o mar será aplicada no primeiro túnel imerso brasileiro, entre Santos e Guarujá
© https://x.com/meioindep

Na região do Mar Báltico, entre a Dinamarca e a Alemanha, está em andamento a construção do maior túnel imerso do mundo. Com 18 quilômetros de extensão, essa obra não depende de escavações profundas nem de máquinas de perfuração, como o famoso túnel do Canal da Mancha. Em vez disso, são utilizados blocos de concreto pré-fabricados que serão assentados diretamente no leito marinho.

As peças que compõem o túnel europeu são colossais: cada uma mede 217 metros de comprimento, 42 metros de largura e 9 metros de altura, pesando cerca de 73 mil toneladas — o equivalente a dez Torres Eiffel. Ao todo, 79 módulos serão conectados entre si, alcançando uma profundidade de até 40 metros no trecho entre Rødbyhavn (Dinamarca) e Puttgarden (Alemanha).

Para dar suporte ao projeto, foi montada uma fábrica exclusiva em uma área de 220 hectares. A previsão é que a imersão das estruturas comece nos próximos anos, com conclusão estimada para 2029. Segundo a estatal dinamarquesa Femern A/S, responsável pelo projeto, fatores climáticos são cruciais para o andamento da obra, que já teve os primeiros trechos concluídos em terra firme.

A inspiração brasileira no fundo do mar

Seguindo os mesmos princípios de engenharia, o Brasil prepara sua própria versão da inovação submersa. O túnel entre Santos e Guarujá será o primeiro do tipo em território nacional. Com 870 metros de extensão, ele utilizará seis módulos de concreto pré-moldados, fabricados em uma doca seca. Esses blocos passarão por testes de vedação e, depois, serão transportados por flutuação até o ponto de instalação no leito marinho.

A estrutura será submersa sem a necessidade de escavações profundas, o que representa menor impacto ambiental e um processo mais rápido de execução. O investimento estimado é de R$ 6 bilhões, e a obra será realizada em parceria entre os governos federal e estadual, com a coordenação do Ministério de Portos e Aeroportos.

A técnica, além de inovadora, permite construções menos invasivas e com menor custo quando comparadas a túneis escavados. O que se desenha é uma nova era de conexões submarinas no Brasil, com base na expertise já aplicada em projetos internacionais de grande escala.

[Fonte: Olhar digital]

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