Pular para o conteúdo
Ciência

A nova meta que revoluciona o bem-estar: serenidade no lugar da felicidade

A felicidade é frequentemente associada a momentos efêmeros difíceis de sustentar. Especialistas agora destacam a serenidade como um estado mais duradouro e acessível, capaz de proporcionar plenitude e equilíbrio mental. Descubra por que a busca pela calma está substituindo o ideal de felicidade.
Por

Tempo de leitura: 3 minutos

A busca incessante pela felicidade marcou séculos de história, mas sua definição sempre foi um desafio. Atualmente, especialistas questionam se este ideal, promovido como uma meta existencial, é realmente alcançável. Em vez disso, sugerem que a serenidade oferece um caminho mais viável para o bem-estar duradouro.

De onde vem o conceito de felicidade como meta?

Durante décadas, a felicidade foi tratada como o ápice do bem-estar humano.

Desde a criação do índice de Felicidade Nacional Bruta, em Butão, em 1972, a ideia de medir a felicidade das populações ganhou espaço global. Países como Finlândia, Canadá e Holanda adotaram políticas baseadas em métricas de bem-estar. No entanto, especialistas começaram a desconstruir a felicidade como objetivo de vida, argumentando que ela é fugaz e frequentemente influenciada pela sociedade de consumo.

O que realmente significa ser feliz?

A felicidade, segundo os especialistas, não é um estado constante, mas uma combinação de fatores.

Tal Ben-Shahar, pesquisador da Universidade de Harvard, propõe que a felicidade é resultado de cinco elementos: bem-estar físico, espiritual, intelectual, social e emocional. Ele destaca, porém, que essa sensação não é permanente, mas um equilíbrio que proporciona calma e apreciação do momento presente.

Para Robert Waldinger, também de Harvard, a felicidade tem sido tratada como o fim de um arco-íris: um objetivo inalcançável. Já Morten Kringelbach, da Universidade de Oxford, argumenta que o mercado de consumo transformou a felicidade em algo inatingível para alimentar o desejo por mais produtos e experiências.

A ascensão da serenidade como nova meta

A serenidade propõe um estado duradouro de paz e satisfação.

Especialistas em neurociência sugerem que a felicidade deve ser redefinida em três categorias: o prazer imediato, o alívio de desejos e a paz interior. É nesse último estado que a serenidade se destaca, oferecendo uma experiência emocional mais profunda e sustentável. A calma mental, baseada em valores pessoais, permite construir uma sensação estável de bem-estar, longe das flutuações dos picos de felicidade.

Práticas para alcançar a serenidade

Há hábitos que podem ajudar a cultivar a calma e o equilíbrio.

Tal Ben-Shahar recomenda exercícios simples para alcançar a serenidade:

  • Anotar três coisas positivas ao final do dia.
  • Reavaliar problemas de diferentes perspectivas.
  • Perguntar-se se preocupações são controláveis e, se não forem, deixá-las ir.
  • Praticar gratidão por pequenas alegrias cotidianas, como um café ou uma caminhada.
  • Reservar momentos de silêncio e contemplação.

O impacto de viver no presente

Concentrar-se no momento atual é essencial para alcançar a serenidade.

Steven C. Hayes, criador da Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), defende que focar no que pode ser mudado traz equilíbrio. Ele sugere identificar valores pessoais e priorizar ações que os promovam. Segundo Hayes, a serenidade é sustentada pela prática de viver de acordo com esses princípios, oferecendo uma sensação de bem-estar duradoura e acessível.

Ao redefinir o conceito de bem-estar, a serenidade emerge como um estado que pode ser sustentado por longos períodos, trazendo equilíbrio e paz interior. Como escreveu Guillaume Apollinaire, “às vezes é bom parar de buscar a felicidade e simplesmente ser”.

 

Fonte: La Nación

Partilhe este artigo

Artigos relacionados