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Ciência

A planta que virou praga global e está mudando ecossistemas inteiros

Um estudo internacional mostra que quase dez mil espécies exóticas já se espalharam pelos trópicos e subtrópicos do planeta. Algumas delas, como a lantana, ultrapassaram o controle humano e hoje ameaçam ecossistemas inteiros, alteram o equilíbrio natural e até forçam populações locais a mudar sua forma de vida.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Os trópicos sempre foram vistos como refúgios de biodiversidade e equilíbrio natural. No entanto, novas pesquisas revelam que o avanço de espécies vegetais invasoras está reescrevendo as regras de convivência entre humanos, fauna e flora. O fenômeno, que alcança três continentes, já é considerado um dos maiores desafios ambientais e sociais deste século.

Dez mil espécies que transformam a paisagem

A pesquisa, publicada na revista Nature Reviews Biodiversity e liderada por Avinash Mungi, da Universidade de Aarhus, identificou aproximadamente dez mil espécies exóticas nas regiões tropicais e subtropicais. Muitas foram introduzidas como plantas ornamentais ou para uso agrícola e não causam grandes impactos.

Mas uma fração reduzida dessas espécies consegue escapar ao controle humano e se tornar invasora, alterando profundamente os ecossistemas. Nas ilhas, onde a diversidade nativa já é naturalmente limitada, os riscos são ainda maiores: em alguns casos, as invasoras chegam a superar em número as plantas locais, mudando a estrutura ecológica de forma drástica.

Lantana
© Pexels – LuAnn Hunt.

O caso emblemático da lantana

A Lantana camara simboliza a força desse processo. Nativa das Américas, foi levada à Europa no século XVII como planta ornamental e depois espalhada por colônias como a Índia. Em menos de cem anos, comunidades tradicionais como os Soliga foram obrigadas a abandonar práticas ancestrais de manejo da floresta diante da expansão da planta.

Hoje, a lantana cobre milhões de hectares em países como Índia, Austrália e Havaí. Ao ocupar o espaço das espécies nativas, ela reduz a oferta de alimento para herbívoros e gera desequilíbrios que chegam até ao topo da cadeia alimentar. Em certas regiões da Índia, por exemplo, tigres privados de presas naturais passaram a atacar o gado, intensificando conflitos entre humanos e animais selvagens.

Um problema ecológico e social

As consequências não se limitam à biodiversidade. Em áreas pobres, onde a subsistência depende diretamente dos bosques e savanas, a presença dessas espécies modifica o uso da terra, reduz a disponibilidade de recursos e cria tensões com a fauna.

Segundo Mungi e seus colegas de pesquisa no Brasil, Etiópia, Índia e Estados Unidos, lidar com as invasoras exige mais do que estratégias de manejo ecológico: trata-se também de um desafio humano. Conservar ecossistemas tropicais significa proteger não apenas a diversidade natural, mas também a sobrevivência e a segurança de milhões de pessoas que convivem diariamente com eles.

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