A ideia de um asteroide colidindo com a Terra costuma parecer roteiro de cinema-catástrofe.
Mas, para a NASA, o tema é tratado como uma questão real de defesa planetária.
As chances de um grande impacto acontecer em curto prazo são extremamente baixas. Ainda assim, a agência considera essencial monitorar continuamente objetos espaciais potencialmente perigosos que cruzam a vizinhança terrestre.
E o próximo grande passo dessa estratégia já está quase pronto.
A NASA confirmou que o telescópio espacial NEO Surveyor entrou oficialmente em fase de testes e mantém previsão de lançamento para setembro de 2027.
Um telescópio feito exclusivamente para caçar ameaças espaciais
A NASA TORNA A DEFESA DE ASTERÓIDES UMA PRIORIDADE, MOVENDO SUA MISSÃO NEO SURVEYOR PARA A FASE DE DESENVOLVIMENTO
O NEO Surveyor passou pelo processo orçamentário da NASA para alcançar o estágio de “desenvolvimento”, com um olho para o lançamento em 2028https://t.co/y5cGxYXUzQ pic.twitter.com/DHXdfkGkeD— Terra Rara🇧🇷🇺🇸🇮🇱ن (@Terra_Rara) January 14, 2023
O nome da missão já explica sua função.
NEO significa “Near-Earth Objects” — objetos próximos da Terra. Já “Surveyor” faz referência ao papel de rastrear e mapear possíveis ameaças vindas do espaço.
Ao contrário de telescópios tradicionais projetados para múltiplas tarefas científicas, o NEO Surveyor foi criado com um único objetivo principal: localizar asteroides e cometas potencialmente perigosos antes que eles se aproximem demais da Terra.
E ele fará isso de uma maneira diferente.
O problema: muitos asteroides são praticamente invisíveis
Detectar objetos espaciais não é tão simples quanto parece.
Muitos asteroides refletem pouquíssima luz solar. Alguns são tão escuros quanto carvão. Outros são pequenos demais para serem identificados facilmente por telescópios terrestres.
Existe ainda outro problema importante: vários deles ficam escondidos no brilho intenso do Sol, tornando observações extremamente difíceis a partir da superfície terrestre.
É justamente aí que entra a principal vantagem do NEO Surveyor.
A tecnologia infravermelha pode enxergar o que outros telescópios não conseguem
O novo telescópio usará sensores infravermelhos altamente sensíveis.
Em vez de depender apenas da luz refletida, ele detectará o calor emitido pelos objetos espaciais após serem aquecidos pelo Sol.
Na prática, isso permitirá encontrar corpos escuros e discretos que normalmente passam despercebidos.
Segundo a própria NASA, o sistema foi desenvolvido especificamente para “varrer o Sistema Solar” em busca de objetos aquecidos pela radiação solar.
Essa abordagem aumenta enormemente as chances de identificar ameaças com antecedência.
O telescópio ficará a 1,5 milhão de quilômetros da Terra
Após o lançamento previsto para 2027, o NEO Surveyor viajará cerca de 1,5 milhão de quilômetros até o chamado ponto de Lagrange L1.
Esses pontos são regiões gravitacionais relativamente estáveis criadas pela interação entre a Terra e o Sol.
No L1, o telescópio terá visão privilegiada para observar áreas difíceis de monitorar a partir da Terra, especialmente regiões próximas ao brilho solar.
A missão inicial deverá durar pelo menos cinco anos, embora exista possibilidade de extensão.
A defesa planetária deixou de ser ficção científica

Nos últimos anos, a NASA vem tratando a proteção contra impactos espaciais de maneira cada vez mais prática.
Em 2022, a missão DART demonstrou pela primeira vez que a humanidade consegue alterar a trajetória de um asteroide deliberadamente ao colidir uma nave contra ele.
O NEO Surveyor complementa essa estratégia.
Porque antes de tentar desviar qualquer ameaça, é preciso encontrá-la.
O objetivo é detectar perigos décadas antes
Especialistas em defesa planetária afirmam que o fator mais importante em qualquer cenário de impacto é o tempo de antecedência.
Quanto antes um objeto perigoso for identificado, maiores as chances de desenvolver estratégias de mitigação, evacuação ou desvio orbital.
Segundo o diretor do projeto, Jim Fanson, a missão fornecerá dados cruciais para proteger o planeta nas próximas décadas.
O céu ainda guarda muitos objetos desconhecidos
Embora milhares de asteroides próximos da Terra já tenham sido catalogados, cientistas acreditam que ainda existem inúmeros corpos não detectados, especialmente os menores e mais escuros.
E mesmo objetos relativamente modestos podem causar destruição regional severa caso atinjam o planeta.
O famoso evento de Tunguska, em 1908, por exemplo, devastou uma enorme área na Sibéria sem sequer deixar uma cratera visível.
Por isso, a lógica da NASA é relativamente simples: mesmo que o risco seja pequeno, ignorá-lo seria imprudente.
E talvez o aspecto mais curioso de toda essa história seja perceber que, pela primeira vez na história da humanidade, nossa espécie começou a construir ferramentas reais não apenas para observar o cosmos — mas também para tentar se defender dele.
[ Fonte: Marca ]