Projetos visionários de infraestrutura sempre despertaram fascínio, mas também ceticismo. Desde a década de 1950, a possibilidade de unir Rússia e Estados Unidos por meio de um túnel ou ponte sobre o Estreito de Bering aparece em debates. Agora, o Kremlin sugere que Elon Musk e sua empresa The Boring Company poderiam ser os responsáveis por transformar essa ficção em realidade — ainda que a ideia tenha mais de provocação política do que de viabilidade imediata.
A proposta russa
Kirill Dmitriev, CEO do Fundo de Investimento Direto da Rússia, publicou nas redes sociais um mapa indicando onde o túnel poderia ser construído. No mesmo post, convidou Elon Musk a liderar a iniciativa, apelidada de “Túnel Putin-Trump”, que teria mais de 100 quilômetros de extensão. Dmitriev afirmou que a obra poderia custar menos de 8 bilhões de dólares com a tecnologia da The Boring Company, contra os 65 bilhões estimados em projetos tradicionais.
Um velho sonho tecnológico
A ideia não é nova. Nos anos 1960, já se falava no “Ponte Kennedy-Khrushchev da Paz Mundial”, e até mesmo quadrinhos futuristas dos anos 1950 retratavam a conexão entre Alasca e Sibéria. O plano consistia em atravessar de Wales, no Alasca, até as ilhas Diomede e, dali, chegar à Sibéria. Defendia-se que tal obra permitiria conectar Nova York a Paris por via terrestre, além de servir como rota para ferrovias e veículos.
Na época, políticos como o senador Warren Magnuson acreditavam que turistas percorrendo essa rota se tornariam “embaixadores da paz”. Décadas depois, a utopia volta como peça de propaganda em um momento delicado para a política mundial.
A posição de Trump
Questionado sobre o tema durante uma coletiva com Volodymyr Zelenskyy, presidente da Ucrânia, Donald Trump considerou a ideia “interessante”, mas admitiu que nunca havia ouvido falar dela. Musk, por sua vez, embora já tenha lançado ideias futuristas, não tem um histórico brilhante em obras de túneis. Muitos de seus projetos de escavação não avançaram além de apresentações conceituais.
Entre provocação e realidade
A proposta surge em meio à guerra na Ucrânia e pode ser interpretada como um gesto de desafio do Kremlin diante dos Estados Unidos. Ainda assim, Dmitriev insiste em apresentá-la como um projeto de união entre continentes. Enquanto isso, Trump vem dando sinais de impaciência com o apoio militar à Ucrânia, sugerindo em suas redes sociais que é hora de “parar a matança” e buscar um acordo, mesmo que cada lado apenas “cante vitória”.
Sonho distante, paz ainda mais distante
Se o túnel sob o Estreito de Bering será construído algum dia, ainda não se sabe. Do ponto de vista técnico, a obra é possível. Do ponto de vista político, porém, parece cada vez mais improvável em meio a um cenário de guerra e desconfiança.
O que se sabe é que, enquanto a proposta russa reacende velhas fantasias de megainfraestrutura, a paz entre Rússia e Ucrânia continua sendo uma meta muito mais difícil de alcançar.
Fonte: Gizmodo ES