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Ciência

A psicologia revelou por que o fracasso de outra pessoa às vezes faz você se sentir melhor

Sentir um alívio discreto quando outra pessoa tropeça pode parecer errado, mas a psicologia revela que essa reação é mais comum do que muita gente imagina — e ela diz muito sobre nós.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Poucas emoções causam tanto desconforto quanto perceber que o erro de outra pessoa trouxe uma satisfação, ainda que por poucos segundos. A maioria prefere esconder esse sentimento, por medo de parecer cruel ou egoísta. No entanto, especialistas explicam que essa reação faz parte do repertório emocional humano e pode surgir por razões muito mais complexas do que simplesmente desejar o mal de alguém.

A emoção que quase ninguém admite sentir tem até um nome

Imagine alguém que sempre pareceu invencível errando diante de todos. Ou aquela pessoa arrogante que finalmente enfrenta uma derrota inesperada. Mesmo sem desejar sofrimento a ninguém, é possível experimentar uma sensação passageira de alívio ou satisfação. Embora pareça estranho, esse fenômeno já foi amplamente estudado pela psicologia.

Essa emoção recebe o nome de schadenfreude, um termo de origem alemã usado para descrever o prazer sentido diante do infortúnio de outra pessoa. Ao contrário do que muitos imaginam, ela não significa, necessariamente, falta de empatia ou prazer em causar sofrimento.

Pesquisadores explicam que o sentimento costuma aparecer em situações envolvendo rivalidade, comparação social, disputas pessoais ou quando existe a percepção de que alguém recebeu as consequências de seus próprios atos.

O ponto mais importante está justamente nessa diferença. Não é a mesma coisa sentir um alívio momentâneo ao ver alguém que nos intimidava fracassar e desejar ativamente prejudicar essa pessoa. Na maioria dos casos, quem experimenta essa emoção sequer participou do acontecimento. Apenas reage a ele.

Por isso, especialistas afirmam que sentir schadenfreude ocasionalmente não transforma ninguém em uma pessoa má. Trata-se de uma resposta emocional complexa, influenciada pela autoestima, pelas experiências de vida e pela forma como interpretamos as relações sociais.

Fracasso De Outra Pessoa1
© Tom Pumford – Unsplash

A comparação com os outros explica boa parte desse comportamento

Grande parte dessa reação nasce de um hábito quase automático do cérebro humano: comparar a própria vida com a dos outros. Mesmo sem perceber, avaliamos nossas conquistas, fracassos e capacidades observando quem está ao nosso redor.

Quando alguém que parecia mais bem-sucedido enfrenta uma dificuldade, essa distância simbólica diminui. Muitas vezes, o que provoca satisfação não é exatamente o sofrimento da outra pessoa, mas a sensação de que nossas próprias limitações parecem menos pesadas naquele instante.

Estudos também indicam que a autoestima exerce um papel importante nesse processo. Pessoas que vivem períodos de insegurança ou sentem seu valor pessoal ameaçado podem experimentar essa emoção com maior intensidade, justamente porque o tropeço alheio funciona como uma pequena compensação psicológica.

Existe ainda outro fator que fortalece essa reação: o senso de justiça. Quando alguém considerado arrogante, desonesto ou privilegiado sofre uma consequência negativa, muitas pessoas interpretam o episódio como uma espécie de equilíbrio sendo restaurado. Nesses casos, a satisfação costuma estar ligada à ideia de que “as coisas finalmente voltaram ao lugar”.

As redes sociais potencializam esse mecanismo. Fracassos públicos, cancelamentos e exposições rapidamente se transformam em espetáculo coletivo, alimentando reações emocionais que misturam curiosidade, comparação, rivalidade e desejo de justiça.

No entanto, os psicólogos fazem um alerta importante. A resposta para o título está justamente aqui: sentir uma satisfação breve diante do fracasso de alguém pode ser uma reação normal da mente humana. O que realmente merece atenção é quando esse sentimento passa a ser constante, intenso ou substitui completamente a capacidade de sentir empatia. Nesses casos, ele pode indicar conflitos emocionais mais profundos relacionados à autoestima, à hostilidade ou à necessidade permanente de se comparar com outras pessoas.

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