A prática de pregar peças no dia 1º de abril tem raízes mais profundas do que se imagina. Uma mistura de disputas religiosas, mudanças no calendário e costumes antigos resultou na tradição que hoje conhecemos como o Dia da Mentira. Entender essas origens revela um elo curioso entre astronomia, política e fé.
O calendário e suas voltas
A Terra leva cerca de 365 dias, 5 horas e 48 minutos para completar uma volta ao redor do Sol — e esse valor fracionado sempre foi um desafio para os calendários. O calendário gregoriano adotou a ideia do ano bissexto, mas com uma regra mais complexa do que se pensa: anos múltiplos de 4 são bissextos, exceto os que também são múltiplos de 100 — a não ser que sejam múltiplos de 400.
Por exemplo, o ano 2000 foi bissexto, mas 2100, 2200 e 2300 não serão. Essa estrutura permite manter os ciclos solares mais precisos ao longo do tempo.
O início do ano e os estilos em disputa
Historicamente, muitas civilizações marcaram o início do ano no equinócio de março, época que simboliza a primavera no Hemisfério Norte. O calendário romano, por exemplo, começava em março, mês dedicado a Marte, o deus da guerra.
Com o tempo, diferentes estilos passaram a coexistir: o “Estilo da Anunciação” iniciava o ano em 25 de março; o “Estilo da Natividade”, no Natal; e o “Estilo da Circuncisão”, no dia 1º de janeiro. Este último só se tornou oficial na Igreja com a reforma do papa Gregório 13, em 1582.
Como nasceu o 1º de abril
Em 1564, o rei Carlos 9º da França determinou que o ano novo começasse em 1º de janeiro, conforme o calendário juliano. No entanto, católicos resistentes ao novo calendário continuaram comemorando o ano novo no antigo estilo, entre 25 de março e 1º de abril.
A resistência acabou sendo ridicularizada pelos seguidores do novo calendário, que passaram a fazer brincadeiras com os “atrasados”. Essas gozações evoluíram para o que hoje conhecemos como o Dia da Mentira, uma tradição que se espalhou pelo mundo com o tempo.
[Fonte: Época Negócios]