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Ciência

“A velhice está na mente, não na idade”: a visão da neurologista Mercè Boada sobre envelhecer com vitalidade

Para a neurologista espanhola Mercè Boada, especialista em Alzheimer, envelhecer não é apenas uma questão de anos vividos, mas de atitude diante da vida. Em vídeo que se tornou viral, ela defende que um cérebro ativo e um coração que continua vibrando são os verdadeiros pilares de um envelhecimento saudável.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Em tempos em que o envelhecimento costuma ser associado à perda de capacidades, limitações e afastamento social, a neurologista espanhola Mercè Boada, de 76 anos, propõe um olhar diferente. Co-fundadora da Fundação Alzheimer Center Barcelona e uma das maiores referências europeias em doenças neurodegenerativas, ela afirma que a velhice não é definida pela idade cronológica, mas pelo modo como cada pessoa vive, sente e se relaciona. Sua mensagem, que viralizou nas redes sociais, combina ciência e humanidade.

A velhice como estado mental

Em vídeo publicado pela plataforma 65ymás, Boada aparece falando com entusiasmo, sorriso aberto e um olhar que transmite convicção. Ao tocar a cabeça com as mãos, ela afirma: “A velhice está aqui. Em um cérebro ativo, em um coração que bate com vontade de viver.” Para ela, envelhecer não precisa significar perder alegria, curiosidade ou o desejo de participar da vida social.

Boada incentiva pessoas idosas a continuarem aprendendo, compartilhando histórias, cultivando vínculos e mantendo projetos. Essa atitude, segundo a neurologista, é tão determinante quanto qualquer marcador biológico. Em sua visão, sentir-se vivo é parte essencial de se manter vivo.

Um envelhecimento que passa pela inclusão

A médica também chama atenção para o papel da sociedade no processo de envelhecer. Ela defende ambientes verdadeiramente inclusivos, onde crianças, adultos e pessoas idosas — inclusive aquelas que vivem com Alzheimer ou outras demências — possam conviver sem barreiras.

Segundo Boada, muitas cidades ainda tratam o envelhecimento como algo que deve ser escondido ou isolado. Ela reivindica restaurantes, academias, praças e espaços culturais que acolham todas as idades. “É no convívio entre gerações que se constrói pertencimento e se combate o estigma”, afirma.

Esse ponto é crucial: a exclusão social acelera o declínio cognitivo e emocional. Já ambientes acolhedores favorecem autoestima, autonomia e participação ativa na comunidade.

O avanço no tratamento do Alzheimer

Além da mensagem inspiradora, Boada destaca um momento histórico para a pesquisa em Alzheimer. Ela afirma que estamos vivendo “o melhor período da história da doença”, graças a novos tratamentos capazes de reduzir a carga de proteínas tóxicas no cérebro e melhorar a cognição.

Não se trata de cura definitiva, mas de progresso significativo. Há poucos anos, intervir diretamente nos mecanismos biológicos do Alzheimer parecia impossível. Hoje, determinadas terapias já conseguem retardar a evolução da doença e preservar por mais tempo a independência do paciente.

Para Boada, a ciência está abrindo portas que antes nem imaginávamos. Porém, ela enfatiza que o tratamento deve ser acompanhado de estímulos cognitivos, afeto, vínculo social e qualidade de vida.

Como vivemos importa mais do que quantos anos vivemos

O vídeo que viralizou mistura conhecimento científico com sensibilidade. Boada não nega o envelhecimento — ela o acolhe. Mas propõe uma pergunta que desloca o olhar:
O que nos mantém jovens não é o tempo que passou, mas o que ainda nos move.

Manter o cérebro ativo, cultivar relações, sentir entusiasmo, aprender coisas novas, manter o corpo em movimento — são escolhas cotidianas que influenciam profundamente a saúde mental e emocional.

Envelhecer, nessa perspectiva, não é um declínio inevitável, mas um capítulo vivo da existência.

A longevidade, lembra Boada, não se mede apenas nos anos que contamos, mas na intensidade com que continuamos a viver.

 

[ Fonte: Diario AS ]

 

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